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  • Ao som de... Brega & Chique

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           Brega & Chique (1987) está em sua reta final no Viva. A trama de Cassiano Gabus Mendes é protagonizada por Marília Pêra e Glória Menezes, cujos nomes se alternavam diariamente nos créditos de abertura. Elas vivem, respectivamente, Rafaela e Rosemere, duas mulheres que, sem saber, passaram as suas vidas mantendo uma relação com o mesmo homem: Herbert Alvaray, personagem de Jorge Dória. Com problemas na Receita Federal, Herbert forja suicídio, assumindo a identidade de Claudio Serra (Raul Cortez). A novela é a segunda maior audiência do horário das sete, perdendo apenas para Locomotivas (1977), do mesmo autor. A audiência alta fez com que a novela fechasse com uma média geral maior que O Outro, trama das oito assinada por Aguinaldo Silva. O sucesso se refletia também na repercussão, fazendo com que frequentemente a novela ganhasse destaque nas revistas da época.

     

        O folhetim caiu no gosto popular graças ao humor pastelão, dosado com críticas ácidas aos comportamentos corruptivos da sociedade. Um dos marcos da novela é que ela não tinha um mocinho ou vilão. Todos os personagens eram politicamente incorretos e tinham suas ambições, tornando-os mais humanos. No entanto, o excesso de politicamente incorreto faz alguns diálogos soarem mal na "era do cancelamento". Não são poucas as falas machistas dos personagens que frequentam a mercearia de Bianca (Bárbara Fazio) e Pedro (Paulo César Grande), sobrando espaço, inclusive, pra uma infeliz diálogo transfóbico entre Claudio e Montenegro (Marco Nanini) em determinado capítulo. Também faltou à novela um pouco mais de romantismo. Os casais da trama vivem se separando e voltando, e são poucas as demonstrações de afeto entre os personagens. Talvez, romances açucarados não tenha sido o que a novela queria propor. O problema, é que boa parte dos casais acabaram soando apáticos – em minha opinião, claro. É bom levar em conta de que eu comecei a ver a novela a partir do fim de abril, e já peguei o "bonde andando".

     

         Por outro lado, o enredo principal é um dos mais criativos que eu já vi. Leve e divertida, a trama foi uma excelente distração na quarentena e daria um bom remake hoje em dia, sem dever nada aos pastelões atuais. Destaque para as atuações de Marília Pêra, Marco Nanini, Glória Menezes e Raul Cortez. Impecáveis como o quarteto protagonista. O improviso também é uma marca da novela: o próprio Cassiano disse numa entrevista que só tinha o enredo inicial da trama, e que iria desenvolvendo-a durante a exibição. A sororidade feminina presente entre as três amantes de Herbert também é um ponto positivo, e um tanto progressista se levarmos em conta a época em que a novela foi feita. Outro destaque é a trilha sonora. Recheada de hits, os discos venderam horrores, e é claro, não podia ficar de fora da coluna.

     

    Rosemere

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    Glória Menezes como Rosemere em Brega & Chique. A primeira foto, de quando a personagem era pobre. A segunda, após enriquecer. (Fotos: Divulgação / TV Globo)

     

         Vive uma relação estável com Herbert, o qual conhece como Mario Francis. Apelidada de "Alfa 2" pelo esposo, Rosemere levava uma vida simples no início da trama. Isso muda quando Herbert forja o próprio suicídio. Com a falsa morte dele, Rosemere fica rica, e isso muda sua cabeça: a personagem fica esnobe e egocêntrica, chegando ao ponto de ser sem noção e insuportável!

     

         No começo da trama, ela fica com Baltazar (Dennis Carvalho), marceneiro da Vila Custódio. Mas acaba obcecada mesmo é por Luís Paulo (Marcos Paulo), a quem convida pra trabalhar após ficar rica. Rosemere também desperta o interesse de Amadeu (Hélio Souto).

     

    Rosemere e Baltazar

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    Glória Menezes e Dennis Carvalho como Rosemere e Baltazar, em cena de Brega & Chique. (Foto: Reprodução / TV Globo)

     

         Baltazar é um rapaz grosseirão e machista. Tio de Bruno (Cássio Gabus Mendes), é apaixonado por Rosemere. A canção que embala as ficadas dos dois é a carnavalesca Pega Rapaz, do álbum Flerte Fatal, de 1987. A música, da autoria de Rita Lee e seu marido, Roberto de Carvalho, abre a trilha nacional da novela, e nada mais justo que abrir o artigo também. (Pega rapaz / Meu cabelo à la garçom / Prova o gosto desse ton-sur-ton / Do meu batom na tua boca / Alô doçura / Me puxa pela cintura / Tem tudo a ver o meu pinguim / Com a tua geladeira).

     

         A personagem teve dois temas só pra ela. O nacional, É Tão Bom, um dueto de Luiz Caldas e Caetano Veloso, traz uma mensagem de otimismo e casa perfeitamente com a Rosemere simples e batalhadora da primeira fase. (É tão bom / Quando a gente tem fé e acredita / Que existe uma vida bonita / Como quem cultiva uma flor / É tão bom / Não se desesperar com besteiras / Nem levar a sério as asneiras / Que algum ser humano tramou).

     

         Já na trilha internacional, a fofa Somewhere Out There, interpretada por Linda Ronstadt e James Ingram, foi o tema da loira. A canção fez parte da trilha da animação Um Conto Americano (1986). Ganhou dois Grammy's: canção do ano e melhor canção para filme/TV. Também foi indicada à melhor canção original no Globo de Ouro e no Oscar, mas perdeu ambas indicações para Take my Breath Away, do filme Top Gun (1986). Nos charts, atingiu a 2ª posição nos Estados Unidos e Canadá, a 8ª no Reino Unido e a 6ª na Irlanda. (E mesmo que eu saiba o quão distantes estamos um do outro / Ajuda pensar que podemos estar pedindo à mesma estrela brilhante / E quando o vento da noite começar a cantar uma cantiga de solidão / Ajuda pensar que estamos dormindo sob o mesmo céu / Em algum lugar / Se o amor ajudar / Estaremos juntos / Em algum lugar / Nossos sonhos serão realidade).

     
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    Rafaela e Montenegro

    Marília Pêra e Marco Nanini como Rafaela Alvaray e Montenegro, em cena de Brega & Chique. (Vídeo: Reprodução / Canal Viva, TV Globo)

     

         Marília Pêra, num de seus melhores papéis, vive Rafaela, esposa de Herbert (que a chama de "Alfa 1"). Rica e um pouco fútil, a dondoca vivia no Jardim Europa até ter seus bens confiscados com a falsa morte de Herbert. Passa a viver na fictícia Vila Custódio, onde também vive Rosemere. Sem grana, acaba tendo que vender marmitas para sustentar a família. Ao longo dessa tarefa, Rafaela se mostra uma mulher forte, capaz de tudo pelo bem-estar dos filhos. Despertará o interesse de Montenegro, melhor amigo de Herbert/Claudio. Montenegro fará o intermédio entre Claudio e suas amantes, o que Montenegro não esperava é que acabaria apaixonado por Rafaela, que também demonstrará afeição pelo secretário. O problema é que Montenegro tem de escolher entre compactuar com as armações de Herbert e seguir seu coração, e, por lealdade ao amigo, demora pra corresponder às investidas de Rafaela. O casal foi, sem sombra de dúvidas, o grande destaque do folhetim. Não por cenas românticas, mas sim pelas cômicas, como a que os dois olham pro espelho apalpando seus rostos à procura de "papadas".

     

         O tema do casal era A Ilha, jazz sensual de Léo Gandelman, presente no LP nacional da trama. Na novela, a canção também é descrita como a música de Herbert e Zilda, num diálogo dos dois personagens. Rafaela teve dois temas próprios. O nacional era Preciso Aprender a Só Ser, também interpretada por Caetano Veloso. Originalmente gravada por Gilberto Gil, a canção é considerada uma resposta à Preciso Aprender a Ser Só, que aliás, está presente na trilha de Mulheres Apaixonadas. Se colocada no contexto da novela, a música pode referir-se ao fato da vida da personagem ter virado do avesso após a "morte" de seu marido, e sozinha – no quesito amoroso – precisou se reerguer e aprender a viver de uma forma mais simples, com a qual não estava familiarizada. Esta interpretação pode ser vista nos seguintes versos: (Sabe, gente / É tanta coisa pra gente saber / O que cantar, como andar, onde ir / O que dizer, o que calar, a quem querer / Sabe, gente / É tanta coisa que eu fico sem jeito / Sou eu sozinho e esse nó no peito / Já desfeito em lágrimas que eu luto pra esconder).

     

         Já na trilha internacional, Rafaela contava como tema, In Too Deep, sob os vocais de Phill Collins, na banda Genesis. A balada, que também estava presente no filme Mona Lisa (1986), alçou o 2º lugar da Billboard Hot 100 e fala de alguém com dificuldade em terminar um relacionamento. (Ouça / Eu sei que te amo, mas não consigo aceitar / Eu sei que te amo, mas não vou desistir / Apesar de eu precisar de ti, não farei isso / Você sabe que eu quero, mas pra mim é difícil).

     

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    Tema de abertura

    Clipe original da música Pelado (Vídeo: Reprodução / YouTube)

     

         Para a abertura da novela foi escolhida a música Pelado, do Ultraje a Rigor. A canção, cheia de metáforas e duplo sentido, está incluída no segundo álbum da banda. A música é uma clara crítica ao exagero de pudor da sociedade e ao governo. Vale lembrar que a novela se passa nos anos 80, década marcada pela hiperinflação e estagnação econômica, o que acabou causando impacto na educação e na saúde. A música, atemporal, critica claramente isso. (Indecente / É você ter que ficar / Despido de cultura / Daí não tem jeito / Quando a coisa fica dura / Sem roupa, sem saúde / Sem casa, tudo é tão imoral / A barriga pelada / É que é a vergonha nacional).

     

         Na TV, a abertura causou polêmica graças à nudez de Vinicius Manne, que expôs o bumbum na abertura do primeiro capítulo. A Globo foi obrigada a tapar as nádegas do modelo durante alguns capítulos pela Censura Federal. Após protestos do público, o traseiro do rapaz pôde dar as caras novamente nas telinhas a partir do 5º capítulo, e inclusive, foi usado como capa do LP internacional da novela. A abertura pode ser vista no YouTube.

     

    Bruno e Mercedes

    Cássio Gabus Mendes e Patricia Travassos como Bruno e Mercedes, em cenas de Brega & Chique (Vídeo: Reprodução / TV Globo)

     

         O casal, ao lado de Rafaela e Montenegro, foi responsável pelas cenas mais hilárias da novela. Bruno é sobrinho de Baltazar, com quem divide as atividades da marcenaria. Desengonçado e ingênuo, acaba por vezes tratando as pessoas com certa estupidez, mas sem intenção de magoar. O rapaz tem dificuldade para ler e escrever, o que acaba fazendo-o tropeçar nas palavras. Para corrigir os erros de português do sobrinho, seu tio contrata Mercedes (Patricia Travassos). Sensual, a manicure arrebata o coração de Baltazar, que a tenta conquistar a todo custo. Sem sucesso. Isso porque ela só tem olhos mesmo para Bruno.

     

         Mercedes tenta, inutilmente, ao longo da novela, fazer Bruno entender o que é o amor, e que ela está afim dele. A dupla rendeu situações hilárias, como a em que Bruno está acamado de sarampo e Mercedes acaba pegando a doença pra ficar mais tempo com o amado.

     

         O tema nacional de Bruno era Cowboy Fora da Lei, último grande sucesso de Raul Seixas, que viria a falecer dois anos após o fim da novela. A canção, que dava comicidade às cenas, trata de um eu lírico que prefere ser uma pessoa comum a ser idolatrado, e ressalta que heroísmo – segundo, ele – só é bom na ficção. No trecho: (Mamãe, não quero ser prefeito / Pode ser que eu seja eleito / E alguém pode querer me assassinar), Raul parece ter feito referência às grandes personalidades do século 20 que acabaram sendo mortas, como John Lennon; John Kennedy, e seu irmão, Robert; Mahatma Gandhi; e Martin Luther King Jr. O tema, que tocava nas confusões envolvendo Bruno e Baltazar, combinava com o conformismo dos dois, que em determinadas situações não pareciam se importar com a própria ignorância.

     

         Para Mercedes, foi escolhida a faixa Sinto Saudade, do Evandro Mesquita. Eu, particularmente, não lembro de tocar a parte cantada dela na novela, fazendo-a servir mais como um instrumental da trama. A canção faz parte do álbum Evandro, de 1986. (Meu bem eu sinto saudade / Sinto saudade de você / Meu bem eu sinto saudade / Sinto saudade / Talvez eu mande um recado / Pelo rádio do carro / 100 canções que eu me amarro / Eu dedico a você).

     

         A cenas românticas do casal ficaram a cargo da internacional Is This Love?, da banda Whitesnake. O refrão da música, que numa tradução livre fica: (É amor o que estou sentindo? / Esse é o amor que eu tenho procurado? / Isso é amor ou eu estou sonhando? / Isso deve ser amor / Pois isso realmente tem um controle sobre mim), resume um pouco a relação confusa dos dois. O single picou a 9ª posição nos charts britânicos e a 2ª nos charts americanos.

     

         Já para as peripécias dos dois, era tocada a sexy I Want Your  Sex (Part I). O tema, que também tocava em outros núcleos, fez parte do álbum de estreia de George Michael e entrou para a trilha sonora do filme Um Tira da Pesada 2 (1987). E não é a primeira vez que um tema da franquia de filmes entra pra uma novela da Globo. The Heat Is On, tema do primeiro filme, está na trilha de A Gata Comeu (1985). Provocante, o eu lírico convoca outra pessoa pra, digamos, brincar de fazer neném. Pela ousadia da letra, a BBC restringiu a execução da música nas rádios britânicas sob a justificativa de que a música promove a promiscuidade e podia ser um tiro no pé na campanha contra a AIDS. Isso não impediu a música de ser um sucesso, já que alcançou a 3ª posição das paradas de lá. Nos Estados Unidos, o desempenho foi ainda melhor: atingiu a 2ª colocação da Hot 100. (Eu quero seu s**o / Eu quero seu amor / Eu quero seu s**o / Eu quero seu... s**o).

     

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    Ana Cláudia e Luís Paulo

    O que acontece com Ana Cláudia e Luís Paulo no final de Brega & Chique?

    Patrícia Pillar e Marcos Paulo como Ana Cláudia e Luís Paulo. (Foto: Divulgação / TV Globo)

     

         Os relacionamentos de Brega & Chique eram bastante inconsistentes. Os casais ficavam e terminavam com uma facilidade incrível. E isso se nota no início, com a bela Ana Claudia (Patrícia Pillar) sendo abandonada no altar por João Antônio (Jayme Périard), que a deixa para ficar com Silvana (Cássia Kis). Ana acaba perseguindo seu ex-noivo, chegando a ameaçá-lo com uma arma certa vez. Mais tarde, Ana se envolve com Luis Paulo, que a conduziu até seu casamento com João Antônio. Perto do fim, marca um casamento com o Luís, mas acaba sequestrada por João Antônio como forma de vingança.

     

         Honesto e de bom coração, Luís Paulo prova que nem todo personagem de Brega & Chique é machista. Desperta a paixão de Rosemere, a quem tenta comprar com dinheiro, mas seu coração pertence mesmo à Ana Cláudia. O galã possui como tema Lágrima de Amor, de Beto Guedes. A balada também, acabou servindo como tema romântico dele com Ana Cláudia. (E você não precisa chorar / Não precisa ficar como está / Se amar é uma coisa normal / Entre nós).

     

         O tema da filha de Rafaela e Herbert era Um Pro Outro, rock romântico de Lulu Santos presente no disco Lulu (1986). De ritmo agitado, a música combina com a personalidade ousada da personagem, que cogitou inclusive, posar nua, abrindo discussões sobre a liberdade da mulher em relação a seu corpo em plena década de 80. A música é mais uma que embalava o romance dos dois. (Nós somos feitos um pro outro / Pode crer / Por isso é que eu estou aqui / E não há lógica que faça desandar / O que o acaso decidir).

     

         O tema internacional do casal foi a balada Everything I Own, do Boy George, em seu primeiro álbum solo. A canção é cover da banda Bread, e ganhou uma roupagem reggae. A versão original fez, posteriormente, parte das trilhas de Amor Eterno Amor (2012) e Império (2014). O cover de Boy George foi parar no topo das paradas britânicas. (Eu te daria tudo que tenho / Daria minha vida, meu coração, meu lar / Eu te daria tudo que tenho / Só pra te ter novamente).

     

    Brega & Chique: João Antônio desiste de casar - Rede Globo - Catálogo de  Vídeos

    Jayme Périard e Cássia Kis como João Antônio e Silvana, em cena de Brega & Chique. (Foto: Reprodução / TV Globo)

     

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    Tamirys e Mauricio

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    Cristina Mullins e Tato Gabus Mendes como Tamirys e Mauricio, respectivamente, em Brega & Chique. (Fotos: Reprodução / TV Globo)

     

         Tamirys, Irmã de Ana Cláudia, também sofre horrores por amor na novela. A personagem de Cristina Mullins começa casada com Mauricio (Tato Gabus Mendes). Interesseiro, estava confiante de que ia herdar boa parte da fortuna de seu sogro, Herbert, mas errou feio: passa a ter que trabalhar de verdade após sua falsa morte, já que seu sogro faliu. Mauricio a trai com Silvana, com quem se alia ao Belotti (José Augusto Branco) – detetive que aparece na reta final da trama – para desmascarar Claudio Serra. Mais tarde, Tamirys tem um caso com Pedro. O relacionamento dos dois vive num "chove não molha", onde Tamirys tem receio de ir em frente com o rapaz por ainda amar Mauricio. Por outro lado, Pedro também acaba paquerando Zilda (Nívea Maria).

     

          Tamirys tem como tema nacional a música Caleidoscópio, composição de Herbert Vianna, na voz de Dulce Quental. (Não é preciso apagar a luz / Eu fecho os olhos e tudo vem / Num Caleidoscópio sem lógica / Eu quase posso ouvir a tua voz / E sinto a tua mão a me guiar / Pela noite a caminho de casa). No disco internacional, a personagem tem como tema Let's Wait a While, de Janet Jackson. A canção fala de duas pessoas que estão ficando, no entanto, o eu lírico da canção pede para as coisas irem mais devagar, para que assim, o amor possa durar mais. Lembra um pouco o relacionamento de Tamirys e Pedro, né?! (Vamos esperar um pouco antes que seja tarde demais / Vamos esperar um pouco, nosso amor ainda estará aqui / Vamos esperar um pouco antes de irmos longe demais).

     

         A canção da Janet faz parte do álbum Control (1986), e alcançou a segunda posição dos charts americanos.

     

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    Silvana

    Novela 'Brega & Chique', de 1987, reestreia na TV paga - 19/02/2020 -  Ilustrada - Folha

    Cássia Kis como Silvana, em Brega & Chique. (Foto: Divulgação / TV Globo)

     

         Irmã de Luís Paulo, é a amante de João Antônio no início da trama. Assumem um relacionamento após João largar Ana Cláudia no altar. No entanto, Silvana acaba gostando de seu colega de escritório, Mauricio, acabando o romance com João. No fim da novela, Mauricio, ex de Tamyris, acaba tendo uma recaída pela moça, reatando as relações e deixando Silvana pra trás. Silvana é uma mulher forte, independente, e as decepções amorosas que ela tem ao longo da novela parecem a deixar mais rígida.

     

         O tema nacional de Silvana é a linda Até o Fim, de Verônica Sabino. A música começa com um estridente som de saxofone. Esse trecho da canção marcou várias transições curtas entre cenas da novela. (Mas eu sei / Que eu tentaria tudo / Outra vez / Nem me importaria / Ah, falariam, eu sei / Não tenho medo de tentar viver / E ser feliz / Tudo na vida eu quis / E desejo pra você / Tudo o que eu quis pra mim / Ah, meu bem, desejo sim / Sem tirar, nem pôr / Até o fim).

     

         No disco internacional, a personagem tinha como tema What do We Mean to Each Other?, do brasileiro Sérgio Mendes. A canção alcançou a 19ª posição da Billboard Hot 100, em 1987, e fazia parte do disco Brasil '86. Sob a voz de Lisa Bevill e Joe Pizzulo, a música embalava algumas cenas de Silvana e Mauricio, e meio que traduz a decepção que Silvana sentiu ao ver Mauricio largá-la pra voltar com Tamirys. (O que somos um pro outro? / Sou um amigo, um amante? / É sobre isso agora / Se é assim, porque incomoda tanto dizer o que tiramos disso / O que somos um pro outro? / Sou um amigo, um amante? / É sobre isso agora / Você me ama ou apenas me quer bem?).

     

    Vânia e Teddy

    Brega e Chique': Vânia se interessa por Teddy

    Teddy (Tarcísio Filho) e Vânia (Paula Lavigne). (Fotos: Divulgação: TV Globo)

     

          Vânia (Paula Lavigne) é filha de Rosemere, e irmã de Amaury (Kaká Barrete) e Marcinha (Fabiane Mendonça). Junto com Amaury, é fruto do primeiro casamento da loira. Vânia engata um romance com Teddy (Tarcísio Filho). Bonitão, o rapaz é um dos filhos de Rafaela e Herbert. Como tema dos dois, foi escolhida a melosa Sem Peso e Sem Medida, de Fábio Jr. A canção fazia parte do álbum Sem Limite pra Sonhar (1986), cuja faixa-título era um "dueto", à la Taylor Swift e Paula Fernandes, com Bonnie Tyler. (Todo dia é um novo dia pra sonhar / Eu corro pra te acordar / E me entregar / Sem peso e sem medida / Toda boca é a sua boca pra chegar / E nunca mais achar / A saída).

     

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    Zilda / Rosinha

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    Nívea Maria e Suzy Camacho como Zilda e Rosinha, em cenas de Brega & Chique. (Fotos: Reprodução / Canal Viva, TV Globo)

     

         Zilda é a melhor amiga de Rafaela. Deu todo o suporte quando ela mais precisou, o que parece ter sido uma forma de tirar o peso da consciência de ter traído sua confiança sendo amante de Herbert. A "Alfa 3", como é apelidada pelo milionário, acaba, ao longo da novela, gostando de Montenegro e Pedro, sendo que apenas o último retribui seu amor.

     

         Como tema da personagem, foi escolhida a canção Blá Blá Blá... Eu Te Amo (Rádio Blá), do Lobão. Mas ela parece se encaixar melhor na trama de Rosinha (Suzy Camacho), de qual também foi trilha. A jovem, assim como Zilda, também trai sua amiga quando fica com Teddy, namorado de Vânia (Paula Lavigne). Enlouquecido com Rosinha, Teddy fica ansioso pra terminar com Vânia. No entanto, quis o destino que ele ficasse pobre. Oportunista, Rosinha termina com Teddy para ficar com Amaury, já que Rosemere, sua mãe, acaba enriquecendo. Após um golpe de Claudio Serra, Rosemere perde tudo, e o interesse de Rosinha no rapaz acaba. Tanto Teddy, quanto Amaury acabam entrando em depressão com o desprezo da amada.

     

         A frase "Ela adora me fazer de otário", que abre a canção, era repetida diversas vezes, como um som de efeito da novela, toda vez que algum homem sofria de desilusão amorosa por uma mulher. A música era uma crítica às rádios comerciais, e isso pode ser notado em seu refrão: (Não dá para controlar, não dá / Não dá pra planejar / Eu ligo o rádio e blá, blá / Blá, blá, blá, blá, eu te amo).

     

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    Kaká Barrete como Amaury, em Brega & Chique. (Fotos: Divulgação / TV Globo)

     

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    Zilda e Pedro

    Astros em Revista: PAULO CÉSAR GRANDE - O ASTRO ATLÉTICO

    Paulo César Grande e Nívea Maria posando como Pedro e Zilda para uma revista. (Foto: Divulgação / TV Globo)

     

         Pedro, a princípio, apaixona-se por Tamyris, mas esta, só tem olhos pro Mauricio, seu ex-marido. Depois, começa a demonstrar sentimentos por Zilda, e decide ser seu amigo confidente. Engata um romance logo em seguida. No entanto, passa a julgá-la, por um tempo, quando ela lhe conta ter sido amante de Herbert.

     

         Como tema do casal, foi escolhida Music, de F.R. David. A canção, originalmente lançada em 1983, foi incluída na trilha da novela após sua versão brasileira, Meu Mel, de Marquinhos Moura, ganhar as paradas de sucesso do país. A versão original da canção pode ser interpretada de duas formas: a primeira, aparenta dizer que o mundo é sem graça sem música, e que as canções são responsáveis por dar emoção à vida. A segunda interpretação, é mais simples: uma canção de amor à uma pessoa chamada Music. (Quando a primavera está perto do fim / Eu ouço folhas verdes do verão / O outono traz o ritmo da chuva / Então é uma sombra obscura do inverno).

     

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    Fizeram ainda parte da trilha...

    Nacional

    • Coração de Jovem, de Erasmo Carlos. Tema de João Antônio. Presente no álbum Abra seus Olhos (1986).

     

    Internacional

    • No Promises, do grupo Icehouse. Lançada em 1985, na Austrália, para o álbum Measure for Measure (1986), fez parte do filme Garotas Modernas (1986). Foi a primeira canção internacional a tocar na novela. Nos charts, teve um desempenho mediano: atingiu a 30ª posição das paradas australianas e a 79ª da Billboard Hot 100.
    • Now and Forever, do Jimmy Cliff. O não-single está presente no álbum Cliff Hanger (1985), vencedor do Grammy de melhor álbum de reggae. A canção fez diversos casais dançarem juntinhos nos bailes brasileiros de 1987.
    • Head to Toe, de Lisa Lisa & Cult Jam. Dançante, a canção faz parte do álbum Spanish Fly (1987) e alcançou o topo da Hot 100.
    • C'est la Vie, de Robbie Nevil, foi o tema de locação da mercearia de Bianca, e seu irmão, Pedro. Atingiu a segunda posição da Hot 100.
    • Glad to Know (That You're the One), de Malcolm Roberts.
    • e por fim, Infidelity, do Simply Red, extraída do album Men and Women (1987).
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    Recommended Comments

    A trilha nacional combina muito mais com os personagens que a trilha internacional, tipo Is This Love que é uma música com arranjos bem fortes mas foi escalada pra um casal que só se descobre apaixonado nos últimos capítulos kkkkk mas ambas as trilhas tem músicas ótimas. Parabéns pelo texto.

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    Belo artigo. Parabéns pelo trabalho de pesquisa e pela elaboração do texto, amigo.

     

    Confesso que não consegui me apegar a Brega & Chique, mas concordo com as qualidades citadas sobre ela, principalmente o afinado texto e o humor ácido em tom de deboche, sempre presente nas tramas do Cassiano.

     

    Quanto a trilha, ela é, de fato, excelente, assim como a maioria das novelas oitentistas. Temos aí diversos clássicos da música brasileira, como Preciso Aprender a Ser Só, Cowboy Fora da Lei, Rádio Blá, Um Pro Outro e, obviamente, Pelado, eternizada pela memorável abertura. Destaque especial pra Lágrima de Amor, um poema cantado.

     

    Na parte internacional, muitos outros clássicos presentes também, como Let's Wait a While, Everything I Own, grandes sucessos da época. Sem dúvidas, uma união maravilhosa de grandes canções.

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    Eu sou suspeito! Comprei o LP dessa novela quando tinha uns 12 ou 13 anos, não conhecia a história, nada, nada... Olhava para o encarte do LP e tentava imaginar a história. 

     

    A trilha sonora de "Brega & Chique" toca no meu coração! 

     

    "Eu preciso aprender a só ser" é uma das músicas da minha vida. 

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    Que baita pesquisa, hein?! Parabéns, Otis, valeu a pena. Muito interessante ver você dissecar sobre a novela mesclando com a trilha. Tentei acompanhar Brega & Chique, assisti a primeira semana, mas não me senti conquistado... a achei pouco simpática e com um homem bem aquém do que eu esperava. Mas também vi alguns capítulos aleatórios durante a exibição e, como é dito no texto, fica nítido como o Marco Nanini e a Marília Pêra tomaram a novela pra eles! Inclusive foi bastante interessante vê-los juntos porque ano passado assisti "Anjos da Noite" (1987), longa que tem os dois juntos, com a companhia de Guilherme Lemos, em ótimas cenas. É um baita filme sobre a noite paulistana, meio raro pra se encontrar pela internet, mas caso interesse alguém, tenho arquivo de torrent.

     

     

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    1 hora atrás, MERCURY disse:

    Olhava para o encarte do LP e tentava imaginar a história. 

    A gente sabe para onde você olhava, Mercury... :clo5:

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    Parabéns pelo artigo!

    É uma novela que pouco conheço, mas tem uma premissa interessante.

     

    1 hora atrás, Marquinhos C. disse:

    Excelente artigo sobre a novela, que é esclarecedor inclusive pra quem já acompanhou a trama.

    Milagre não ter comentado sobre o marquês do boy da capa :clo7:

    Apesar de ter havido uma certa polêmica, ainda conseguiriam manter no ar.

    Às vezes me espanto como a TV está mais conservadora nos dias atuais.

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    6 minutos atrás, Mário Joaquim disse:

    Parabéns pelo artigo!

    É uma novela que pouco conheço, mas tem uma premissa interessante.

     

    Milagre não ter comentado sobre o marquês do boy da capa :clo7:

    Apesar de ter havido uma certa polêmica, ainda conseguiriam manter no ar.

    Às vezes me espanto como a TV está mais conservadora nos dias atuais.

    Marques do modelo muito bonito, a tv antigamente era bem mais libertina.kkkkkkkkk

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    42 minutos atrás, Rich disse:

    Que baita pesquisa, hein?! Parabéns, Otis, valeu a pena. Muito interessante ver você dissecar sobre a novela mesclando com a trilha. Tentei acompanhar Brega & Chique, assisti a primeira semana, mas não me senti conquistado... a achei pouco simpática e com um homem bem aquém do que eu esperava. Mas também vi alguns capítulos aleatórios durante a exibição e, como é dito no texto, fica nítido como o Marco Nanini e a Marília Pêra tomaram a novela pra eles! Inclusive foi bastante interessante vê-los juntos porque ano passado assisti "Anjos da Noite" (1987), longa que tem os dois juntos, com a companhia de Guilherme Lemos, em ótimas cenas. É um baita filme sobre a noite paulistana, meio raro pra se encontrar pela internet, mas caso interesse alguém, tenho arquivo de torrent.

     

     

     

    1011025.jpg

     

    A gente sabe para onde você olhava, Mercury... :clo5:

    ah eu quero o arquivo sim

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    Que artigo incrível. Amei a pesquisa. Nem é preciso dizer que a Marília é a alma dessa novela. E a amizade dela com o Nanini contribuiu muito para que o improviso e a cumplicidade entre eles fosse impecável. Amei esta novela, sempre tive curiosidade de assistir e o Viva realizou este desejo. Estou triste que vai acabar, mas agora entendo porque era o trabalho que a Marília mais gostava na televisão. Foi a novela dela. E eu amo as trilhas sonoras. Tenho as duas em vinil e fico escutando. 

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    1 hora atrás, Rich disse:

    Que baita pesquisa, hein?! Parabéns, Otis, valeu a pena. Muito interessante ver você dissecar sobre a novela mesclando com a trilha. Tentei acompanhar Brega & Chique, assisti a primeira semana, mas não me senti conquistado... a achei pouco simpática e com um homem bem aquém do que eu esperava. Mas também vi alguns capítulos aleatórios durante a exibição e, como é dito no texto, fica nítido como o Marco Nanini e a Marília Pêra tomaram a novela pra eles! Inclusive foi bastante interessante vê-los juntos porque ano passado assisti "Anjos da Noite" (1987), longa que tem os dois juntos, com a companhia de Guilherme Lemos, em ótimas cenas. É um baita filme sobre a noite paulistana, meio raro pra se encontrar pela internet, mas caso interesse alguém, tenho arquivo de torrent.

     

     

     

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    A gente sabe para onde você olhava, Mercury... :clo5:

    Amado, se eu quero ver bunda bonita eu olho a minha no espelho. Não preciso ir longe. :sofri:

    E o LP que eu tenho é o amarelo, o nacional. :safada:

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    Amigo parabéns pelo empenho e pelo trabalho sério, é que no caso dessa novela não sei nada, então não posso opinar.

    Mesmo assim é invejável o quanto você se aplica ao artigo, parabéns!

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    Bregona vai deixar muitas saudades. Me apaixonei pela novela desde o primeiro dia que assisti, ainda por volta do capítulo 60. A novela é maravilhosa, embora algumas situações repetitivas encham o saco, consegue se sobressair muito um ótimo humor. 

     

    Bruno reizinho, amo ele. 

     

    A trilha é realmente muito impecável, tanto nacional quanto internacional. 

     

    Parabéns pelo texto. 

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    9 horas atrás, MERCURY disse:

    Amado, se eu quero ver bunda bonita eu olho a minha no espelho. Não preciso ir longe. :sofri:

    E o LP que eu tenho é o amarelo, o nacional. :safada:

    Acho que não preciso lembrar de que o que é bonito é pra ser mostrado, né Mercury :vemk:

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    Mais uma excelente coluna, a trilha de Brega & Chique além de ser goatosinha, é a cara dos anos 80, eu me sintode volta aos anos 80, mesmo nunca tendo vivido!

     

    A minha favorita é a do Raul Seixas, tema do Bruno!

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