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    1. Chadwick Boseman, um herói nos cinemas e na vida real

      (Imagem: Reprodução)

      O mundo se surpreendeu com a morte do ator Chadwick Boseman, conhecido por interpretar o Pantera Negra no Universo Cinematográfico, Marvel. Ele enfrentava, silenciosamente, um câncer no cólon há quatro anos.
       
      O falecimento gerou enorme repercussão: além de seu nome ter figurado entre os Trending Topics do Twitter por várias horas, o tweet com o anúncio de sua morte publicado em seu perfil oficial, foi o mais curtido na história - até a publicação deste artigo, já possui mais de 7,2 milhões de curtidas.
       
      Boseman recebeu homenagens de seus colegas da franquia Vingadores, como Chris Evans, Robert Downey Jr., Mark Ruffalo, Chris Hemsworth e Brie Larson, e até mesmo da "rival" DC Comics.
       
      O gesto do herói interpretado pelo ator, foi replicado ao longo de todo o final de semana por apresentadores (Maria Júlia Coutinho), jogadores de futebol (Gabigol), e até personagens dos quadrinhos (Turma da Mônica e seus personagens negros Jeremias e Milena).


      (Imagens: Reprodução)

      Esse contexto de luto fez a TV Globo alterar o filme da Tela Quente, que fará uma exibição especial e inédita de Pantera Negra (Black Panther, 2018) nesta noite, acompanhada de uma introdução feita pelo apresentador Manoel Soares, mostrando o impacto do filme na representatividade negra. 
       
      Mas, afinal, como explicar tamanha comoção em volta de um artista que estava experimentando o auge de sua carreira e ainda recém-estabelecido no mainstream hollywoodiano?
       
      O filme que lhe rendeu o estrelato e também a marca de sua carreira, explicam parte disso. Pantera Negra representa um grande avanço na representação do negro na indústria do cinema. Wesley Snipes protagonizou Blade, é verdade, mas a franquia sempre foi tratada como algo secundário e de menor importância na filmografia da DC.
       
      Apesar de sua introdução tardia no MCU (é o 18º filme na cronologia), o longa tem o mérito de dar destaque, finalmente, à cultura afrodescendente, colocando-a na posição de protagonismo e heroísmo, com elenco majoritariamente negro. Mais: o rei T'Challa virou um símbolo para as crianças negras que puderam finalmente se ver representadas na tela grande. Nesse sentido, é possível traçar um comparativo com a representatividade da boneca Barbie, por exemplo, que só ganhou uma amiga negra quase dez anos após seu lançamento - e uma versão negra de sua boneca principal mais de vinte anos depois.


      (Imagem: Divulgação)

      A produção da Marvel também possui a excelência de ser um filme que foge da retratação óbvia e burocrática da superação negra no cenário da segregação racial nos EUA nos anos 1960 - os típicos "filmes do Oscar", que renderam indicações e estatuetas ao básico Histórias Cruzadas (The Help, 2011) e o controverso Green Book, o Guia (Green Book, 2018) como exemplos mais recentes. Pantera Negra discute muito mais do que isso.
       
      Conscientemente, Chadwick representa a vitória de toda uma comunidade negra no cinema, interpretando um herói que inspira vários outros heróis que se encontram fora das telas, num filme que ganha significado especial na sociedade norte-americana, na qual o tema do racismo frequentemente volta à discussão em histórias como a dos assassinatos de Michael Brown (1996-2014) e, mais recentemente, de George Floyd (1973-2020) que desencadearam o movimento Black Lives Matter.
       
      No entanto, Chad vinha enfrentando, silenciosamente, outra guerra na vida real. Nada de antagonistas com superpoderes: o seu maior inimigo do lado de cá estava dentro de seu corpo.



      (Imagens: The Sun)

      Ele enfrentou, durante os últimos quatro anos, um câncer no cólon, justamente no período em que cresceu e chegou ao seu apogeu, encarnando o herói da Marvel. Foi forte o suficiente ao enfrentar cirurgias e sessões de quimioterapia, intercaladas à dura rotina de gravações de quase dez filmes, ora como coadjuvante (Deuses do Egito, franquia Vingadores), ora assumindo o protagonismo (Pantera Negra, Crime Sem Saída, Marshall).
       
      "Ninguém sabia", disse recentemente o diretor Spike Lee, que dirigiu o ator em um de seus últimos filmes, Destacamento Blood, da Netflix. O intérprete do personagem pantera negra casou-se com a sua parceira, a cantora Taylor Simone Ledward, em uma cerimônia reservada.
       
       
       

      Adepto de uma vida discreta, Chadwick chamou atenção ao aparecer magro em um vídeo publicado em sua conta no Instagram, em abril deste ano; fotos que mostravam o ator debilitado e de cadeira de rodas, viralizaram no final do mês passado. Fãs suspeitavam de efeitos colaterais de um suposto emagrecimento para algum papel que iria interpretar. A real causa da sua ruína só foi descoberta após sua morte. Até aqui, demonstrou resiliência ao enfrentar sua doença em pleno auge da carreira. Lutou até o último momento para que ninguém soubesse de sua dor.
       
      Chad foi um herói da vida real. Deixou sua contribuição na indústria do cinema ao encarnar o primeiro grande protagonista negro de um filme de super-herói, e lutou de cabeça erguida contra sua doença, sem titubear. É uma inspiração para os fãs de cinema de herói - e também para os que não são.
       

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