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Carlos Eduardo

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  1. Krystsina Tsimanouskaya reclamou da Federação Bielorrussa de Atletismo publicamente por incluí-la em prova a qual sua participação não estava prevista O Globo e agências internacionais A corredora bielorrussa Krystsina Tsimanouskaya, que foi obrigada pelo seu país a abandonar os Jogos após criticar federação, no Aeroporto Internacional de Tóquio Foto: ISSEI KATO / REUTERS TÓQUIO — A corredora bielorrussa Krystsina Tsimanouskaya, que foi obrigada a suspender sua participação na Olimpíada de Tóquio após ter criticado publicamente a federação do país, se recusou a embarcar em um voo para sair de Tóquio no domingo. Ela afirma que não irá retornar à Bielorrússia. O Comitê Olímpico Internacional (COI) informou que ela está "em segurança" no Japão. O anúncio foi feito nesta segunda-feira, 2, um dia após Krystsina denunciar que foi forçada a abandonar os Jogos Olímpicos e retornar ao seu país por criticar sua federação nacional. "O COI e a Tóquio-2020 falaram diretamente com a atleta Krystsina Tsimanouskaya ontem (domingo)", disse o Diretor de Comunicações do COI, Mark Adams. A atleta havia criticado a Federação Bielorrussa de Atletismo no Instagram, afirmando que foi obrigada a participar do revezamento de 4x400 metros, quando, a princípio, deveria correr nas provas de 100 e 200 metros. Isso teria ocorrido, segundo a corredora, porque alguns integrantes da equipe bielorrussa não estavam aptos a competir por não terem feito uma quantidade de exames antidoping suficiente. "Por que nós devemos pagar os erros de vocês? É arbitrário!", publicou a atleta. "Nunca teria reagido desta forma tão severa se tivessem me explicado a situação completa com antecedência e perguntassem se eu poderia correr os 400 metros. Mas decidiram fazer tudo pelas minhas costas." Após isso, no domingo, membros da comissão técnica foram ao quarto dela e disseram que ela tinha que fazer as malas, segundo a corredora. Tsimanouskaya, então, foi levada ao Aeroporto Internacional de Tóquio por representantes da delegação olímpica de seu país. No entanto, ela se recusou a embarcar no voo e procurou ajuda da polícia japonesa. "Não voltarei à Bielorrússia", disse a corredora em uma mensagem à Reuters. "O treinador me colocou no revezamento sem meu conhecimento. Falei sobre isso publicamente. O treinador principal veio até mim e disse que havia uma ordem de cima para me remover", disse a atleta por mensagem. O Comitê Olímpico Bielorrusso afirmou em nota que a atleta teve que suspender sua participação nos Jogos "por decisão dos médicos, devido ao seu estado emocional e psicológico". A atleta, no entanto, diz que isso é mentira. Procurada depois, a entidade não voltou a comentar o caso. O comitê é dirigido por Viktor Lukashenko, filho do presidente do país Alexander Lukashenko, que governa a Bielorrússia desde 1994. Ele é acusado de governar o país com punho de ferro e enfrenta grandes protestos desde 2020, após ter sido declarado vencedor da sexta eleição consecutiva para a Presidência, em um pleito que seus opositores afirmam ter sido fraudado — a União Europeia não reconheceu o resultado. Lukashenko, que nega qualquer interferência nas eleições, repreendeu os atos violentamente. Cerca de 35 mil pessoas foram detidas desde agosto, segundo grupos de direitos humanos. Dezenas receberam sentenças de prisão, e as autoridades dizem que mais de mil processos criminais foram abertos. Svetlana Tikhanovskaya, uma opositora bielorrussa que está exilada, comparou o ocorrido ao pouso forçado de um jato da Ryanair em Minsk em maio, que foi desviado para prender Roman Protasevich, um jornalista dissidente, e sua namorada. A opositora ainda propôs que todos os envolvidos na "tentativa de sequestro" de Tsimanouskaya fossem incluídos nas listas de sanções da UE e dos EUA. “Nenhum bielorrusso que deixou as fronteiras da Bielorrússia está seguro porque pode ser sequestrado, assim como Krystsina Tsimanouskaya e Roman Protasevich”, escreveu Tikhanovskaya no Telegram. Após ser levada ao aeroporto, o COI disse que conversou com a atleta e que ela estava sendo acompanhada por um membro da equipe da Tóquio-2020 no aeroporto. Até a manhã de segunda, no horário de Tóquio, a atleta ainda estava no aeroporto. "Ela nos disse que se sente segura", disse o COI em uma postagem no Twitter. A entidade ainda acrescentou que continuarão as conversas com a corredora e as atletas para "para determinar os próximos passos nos próximos dias". Na noite de domingo, em Tóquio, a atleta disse que está "segura e estamos decidindo onde passarei a noite", segundo um comunicado da Fundação Bielorrussa de Solidariedade Esportiva. Uma fonte da fundação, que apoia atletas presos ou perseguidos por suas opiniões políticas, disse que Tsimanouskaya planejava pedir asilo na Alemanha ou na Áustria na segunda-feira. A chefe da fundação, a ex-nadadora olímpica Aliaksandra Herasimenia, disse à Reuters que Tsimanouskaya também poderia receber ajuda da Polônia. https://oglobo.globo.com/esportes/toquio-2020/obrigada-pela-bielorrussia-abandonar-olimpiada-atleta-se-recusa-deixar-toquio-coi-informa-que-ela-esta-em-seguranca-25136583
  2. PORCENTAGEM DA POPULAÇÃO VACINADA POR ESTADO (30/07/2021) PARCIALMENTE IMUNIZADOS #1 SP - 57,06% (=) #2 RS - 54,04% (=) #3 SC - 49,62% (=) #4 PR - 49,61% (=) #5 MS - 49,29% (+1) #6 ES - 48,40% (-1) #7 MG - 46,47% (+1) #8 AM - 45,57% (-1) #9 RJ - 44,27% (+2) #10 SE - 44,24% (-1) #10 PE - 44,06% (-1) #12 RN - 43,97% (=) #13 PB - 43,15% (=) #14 GO - 42,50% (+2) #15 MT - 41,78% (+5) #16 CE - 41,68% (-1) #17 BA - 41,66% (=) #18 DF - 41,47% (-4) #19 PI - 41,15% (=) #20 RO - 40,47% (+2) #21 MA - 40,34% (=) #22 AC - 40,31% (-4) #23 TO - 38,53% (=) #24 AL - 38,49% (=) #25 RR - 37,40% (=) #26 PA - 35,39% (=) #27 AP - 32,69% (=) TOTALMENTE IMUNIZADOS #1 MS - 32,78% (=) #2 RS - 26,52% (=) #3 SP - 22,27% (=) #4 ES - 20,92% (=) #5 SC - 19,94% (=) #6 PR - 19,77% (=) #7 RJ - 18,95% (=) #8 MG - 18,41% (+1) #9 BA - 18,33% (-1) #10 DF - 17,91% (+1) #11 CE - 17,50% (-1) #12 PB - 17,19% (+1) #13 PA - 16,97% (-1) #14 PI - 16,96% (+3) #15 PE - 16,86% (-1) #16 RN - 16,66% (-1) #17 GO - 16,44% (+1) #18 SE - 15,92% (+1) #19 AM - 15,83% (-3) #20 AL - 15,57% (=) #21 MT - 15,55% (=) #22 MA - 14,34% (=) #23 TO - 14,15% (+1) #24 RO - 14,13% (+1) #25 AC - 13,92% (-2) #26 RR - 12,56% (=) #27 AP - 10,91% (=) * Entre parênteses = subida ou queda de posição no chart em relação ao último levantamento TOTAL DE DOSES APLICADAS - 1ª DOSE 100.082.100 (47,26% da população brasileira) TOTAL DE DOSES APLICADAS - 2ª DOSE + JANSSEN 41.012.243 (19,37% da população brasileira) FONTE: consórcio de veículos de imprensa, formado por G1, "O Globo", "Extra", "O Estado de S.Paulo", "Folha de S.Paulo" e UOL
  3. Eu amo o Eliezer Setton cantando o hino, mesmo sendo a versão reduzida
  4. A Anvisa divulgou na manhã desta quinta-feira, 29, que pelo menos 34 pessoas no país desenvolveram a síndrome Guillain-Barré como reação às vacinas contra a Covid-19 da AstraZeneca, Janssem e Coronavac. A agência de vigilância sanitária afirmou que reações do tipo são raras e já foram registradas com outras vacinas, como a da gripe. A Guillain-Barré é uma doença autoimune que danifica as células nervosas e, no estágio mais grave, paralisa os músculos, podendo levar à morte em caso de falência dos músculos do sistema respiratório, por exemplo. Apesar das reações adversas, a Anvisa diz que mantém a recomendação para que as pessoas continuem se vacinando, “uma vez que, até o momento, os benefícios das vacinas superam os riscos”. A agência solicitou às fabricantes das vacinas que incluam mais informações sobre a reação nas bulas. O país já aplicou em torno de 160 milhões de doses. Dos 34 casos de reações adversas com Guillain-Barré, 27 surgiram após aplicação da vacina da AstraZeneca. Três se manifestaram após aplicação da vacina da Janssem e quatro, da Coronavac. https://veja.abril.com.br/blog/radar/anvisa-identifica-34-casos-de-guillain-barre-apos-vacina-contra-a-covid-19/
  5. O artista circense Vinícius Augusto Reis, de 21 anos, diz que Ângelo Assumpção, ex-integrante da seleção brasileira, mudou depois de ganhar o ouro na Copa do Mundo de Ginástica Artística em 2015. Os dois treinaram juntos no Esporte Clube Pinheiros entre 2015 e 2018 e dividiram apartamento por mais de dois anos. Nos últimos dias, vieram à tona acusações de que Ângelo humilhava um ginasta de apenas nove anos. “As atitudes dele mudaram totalmente a partir do momento que ele ganhou aquela Copa em 2015. Todo mundo falava que subiu à cabeça e que ele virou outra pessoa. Começou a se achar um pouco, não respeitava mais ninguém, os técnicos… Não chegava no horário no treino. Eu presenciei isso porque eu treinava no mesmo horário que ele. Eu via ele não indo no treino na segunda-feira porque domingo ele estava em uma festa, estava cansado e falava que não ia”, contou Vinícius ao UOL. "Ele humilhava muito as pessoas, falava ‘você é ruim, você é isso, você é aquilo’. Sempre apontando o dedo na cara dos outros." Foi também em 2015 que Ângelo se viu envolvido em um caso de racismo que tem repercussão até hoje. Em vídeo divulgado na época, Arthur Nory, da seleção brasileira, compara a cor da pele do ex-colega, que é negro, a um saco de lixo. Nestas Olimpíadas, Nory relacionou o mau desempenho em Tóquio às críticas que ainda recebe em relação ao caso. Em entrevista ao UOL, Ângelo disse que a vida dele “parou” após o caso e que está, desde 2019, sem clube para treinar. Nesta terça-feira (27), Vinícius publicou no Twitter um longo relato com acusações de humilhações e bullying praticados por Ângelo contra ele. O jovem de 21 anos também divulgou um vídeo que mostra Ângelo o xingando e lhe dando um tapa no rosto após prendê-lo dentro de um guarda-roupas. Ângelo ainda diz “sai do armário”, uma expressão comumente usada no anúncio da orientação de homossexuais. Vinícius conta que o vídeo foi gravado em 2018, quando ele tinha 17 anos e dividia com Ângelo o quarto de um apartamento alugado pelo clube. A filmagem, que teria sido divulgada em grupos de WhatsApp com o objetivo de humilhar Vinícius, consta em um processo aberto no Tribunal de Justiça Desportiva da Federação de Ginástica para apurar a demissão do ex-integrante da seleção. FAVORES INFITINOS Vinícius ainda relata que a partir de outubro de 2018 foi obrigado a fazer “favores”, como lavar a roupa e a louça de Ângelo, depois que quebrou um fone emprestado pelo ex-colega. “Quando eu fui comprar esse fone, ele estava junto comigo no shopping, e falou ‘não, você não vai comprar’. Ele sabia que eu não tinha dinheiro e que, se eu comprasse, ia dar problema depois”. A solução proposta por Ângelo foi que Vinícius lhe devesse dez favores. O ex-ginasta conta que sempre tentou lidar com a situação sozinho, sem envolver técnicos e comissão do clube, mas que as coisas ficaram insustentáveis quando Ângelo começou a obrigá-lo a dormir na sala, em um colchão no chão. Em um final de semana, conta Vinícius, o colega voltou para a casa da família e trancou a porta do quarto, onde estavam a mochila e carteirinha, necessária para ele entrar no clube e se alimentar. “Naquele momento, eu estava no meu limite, esgotado de todas as coisas que já tinha passado calado. Não tinha o que comer, sem minha carteirinha do clube e sem dinheiro para comprar comida”, relembrou Vinícius. O ex-ginasta conta que teve de ligar para o líder do apartamento, que pediu para Ângelo voltar imediatamente. Mas o ginasta só regressou no dia seguinte. “Quando ele abriu a porta, eu entrei no quarto e não queria olhar para cara dele. Ele começou a gritar, falando que eu não podia ter falado nada daquilo, que eu estava devendo para ele. Voltou a história do fone, falou que eu ia ter que pagar porque eu não estava cumprindo os favores.… Eu falei para ele: ‘não vou fazer mais favores para você, não vou fazer mais nada do que você pede, do que você manda’”. O jovem disse que resolveu compartilhar as experiências depois que Gabriel Alves acusou o ex-integrante da seleção brasileira de humilhá-lo durante antes. Em entrevista ao UOL Esporte no final de semana, Gabriel afirmou que desde quando era uma criança de apenas nove anos foi tratado por Ângelo, já adulto, por dois apelidos pejorativos: Rebeca Blackout e Leona, ambos fazendo referência a um garoto negro, gay, que se prostituía nas ruas de Salvador e cujos vídeos viraram memes em 2010. Em resposta enviada à imprensa e publicada nas redes sociais, Ângelo negou as acusações e disse que sempre teve bom relacionamento com todos os colegas do clube. “É uma coisa que não concordo porque eu era um dos que não tinha boa convivência depois de um certo tempo e eu também via que ele não tinha essa boa convivência com todo mundo do adulto. Então, assim, quando ele postou aquilo, eu pensei assim: ‘Meu Deus, como ele tem coragem de postar isso?!’. Ele falou que a acusação do Gabriel era mentira, eu pensei: ‘vou ter que fazer alguma coisa’. Eu tenho bastante eventos, tem muitas coisas que aconteceram e eu tenho provas. Então, decidi fazer a minha parte.”. Vinícius conta que teve uma convivência muito boa com Ângelo até o episódio do armário e que era fã do trabalho do ex-colega. “A gente foi super amigo, assim. Eu era fã para caramba dele. Entrei no clube justamente por causa dele, porque eu via muito vídeo dele. Mas a partir de um tempo apareceram umas coisas meio estranhas”. Ao final de 2018, Vinícius largou a ginástica depois que lesionou o pé. “Eu não era assim um ginasta”, admite. “Em 2017, era minha chance de tentar vingar na ginástica. Eu estava indo bem, mas quando eu me machuquei, estragou o ano inteiro, não consegui competir. Tentei voltar em 2018, mas ainda senti dor. Talvez não era para ser. Eu saí”. O jovem voltou para sua cidade natal, Uberlândia, em Minas Gerais, e, em 2019, passou em “primeiro lugar”, ressalta, em uma seletiva da Escola Nacional de Circo, no Rio de Janeiro. O UOL tentou entrar em contato com Ângelo Assumpção por telefone e mensagem via WhatsApp, mas até a publicação deste texto não obteve resposta. O espaço está aberto para a manifestação do atleta. https://www.uol.com.br/esporte/olimpiadas/ultimas-noticias/2021/07/29/comportamento-do-angelo-mudou-apos-ouro-diz-jovem-que-o-acusa-de-homofobia.htm
  6. Protesto contra o presidente Jair Bolsonaro em Brasília, em junho; 72% dos brasileiros disseram em pesquisa acreditar que a sociedade do país está "falida" Uma pesquisa de opinião feita em 25 países traz uma visão desalentadora de boa parte da população global a respeito de suas respectivas instituições políticas — e os brasileiros têm uma percepção negativa acima da média mundial. Mais de dois terços (69%) dos mil brasileiros entrevistados afirmam que o país está em declínio, o maior índice observado entre todos os países participantes da pesquisa de opinião Broken-System Sentiment in 2021, realizada pela empresa Ipsos. São 12 pontos percentuais acima da (já alta) média mundial de 57% de pessoas que têm a percepção de viver em países em declínio. Os índices são altos também no Chile, na Argentina e na África do Sul, todos com 68%. Além disso, 72% dos brasileiros disseram acreditar que a sociedade do país está "falida", índice semelhante aos respondentes da Hungria e só superado pelo da África do Sul (74%). A média global, nesse caso, é de 56%. É importante que a liderança em um ranking de sentimentos tão negativos cause desconforto no Brasil, opina Helio Gastaldi, porta-voz da Ipsos. "Espero que a pesquisa cumpra o papel de dar um chacoalhão. A crítica (às instituições políticas) é generalizada ao redor do mundo, mas não de forma tão aguda quanto no Brasil", afirma Gastaldi à BBC News Brasil. Esse sentimento já havia se manifestado nas pesquisas anteriores da Ipsos sobre o mesmo tema, em 2016 e 2019. "É um sentimento que persiste e que coincide com o que notamos em outros estudos e pesquisas que fizemos para clientes, em que se percebe hoje no Brasil um sentimento de decepção e insegurança. Passa uma ideia de grande preocupação com o futuro", prossegue Gastaldi. Populismo e 'líderes dispostos a quebrar as regras' De modo geral, a pesquisa traz um panorama de desconexão e decepção das pessoas com suas instituições: na média, 71% dos entrevistados globais concordam com a frase de que "a economia está manipulada para favorecer os ricos e poderosos". E 68% concordam com a ideia de que partidos e políticos tradicionais não se preocupam com as "pessoas como eu". E, quanto maior a sensação de viver sob um "sistema falido", maior é também a manifestação de apoio a modelos populistas ou antielite, aponta o Ipsos. No Brasil, por exemplo, 74% dos entrevistados disseram concordar com a frase "o Brasil precisa de um líder forte para retomar o país dos ricos e poderosos", dez pontos percentuais acima da média global. Um índice menor, mas igualmente alto (61%) de brasileiros afirmou que "para consertar o país, precisamos de um líder forte, disposto a quebrar as regras". A média global, aqui, é de 44%. "Isso reforça o discurso populista de que as instituições não servem e de que tem de vir alguém de fora para consertá-las — um remédio que a gente já sabe que não funciona", afirma Helio Gastaldi. Protesto contra o presidente Jair Bolsonaro no último sábado, em São Paulo; pesquisa aponta sensação de desassistência por parte da população No lugar de depositar as esperanças em um líder que derrote o sistema e milagrosamente resolva os problemas, prossegue Gastaldi, o mais produtivo seria fortalecer as instituições e aumentar a participação popular nelas. Uma ressalva importante nesse ponto, diz Gastaldi, é de que o apoio a um "líder forte que quebre as regras" é maior entre os mais velhos (acima dos 50 anos) do que entre os mais jovens, "que parecem mais predispostos a (confiar em) soluções institucionais". De qualquer modo, analisa ele, "é um índice alto, preocupante, que reflete um certo saudosismo da ditadura (militar no Brasil), uma visão nublada e incorreta desse período como sendo um de mais ordem ou de menos corrupção. Isso também alerta para a necessidade de um diálogo intergeracional". Ainda segundo a pesquisa, 82% dos brasileiros acham que a elite política e econômica não se importa com as pessoas que trabalham duro. Três quartos dos entrevistados (76%) acreditam que a principal divisão da sociedade do Brasil é entre cidadãos comuns e a elite política e econômica. "As pessoas entendem que quem pode ou tem responsabilidade de fazer algo (para melhorar o país) o faz em benefício próprio", prossegue Gastaldi. "São vários indicadores negativos em que o Brasil está muito acima da média mundial, mostrando que a população se sente muito desassistida." Migração O único ponto da pesquisa em que os brasileiros ficam abaixo das médias internacionais diz respeito a temas migratórios. Aqui, 53% concordam com a frase "quando os empregos são escassos, empregadores devem priorizar nativos a imigrantes", contra 57% da média global. E apenas 26% acham que o Brasil seria mais forte se deixasse de receber imigrantes, contra 38% no resto do mundo. A pesquisa da Ipsos foi feita online com 19 mil respondentes de 16 a 74 anos, entre março e abril, em EUA, Canadá, Malásia, África do Sul, Turquia, Bélgica, França, Alemanha, Reino Unido, Austrália, Itália, Japão, Espanha, Hungria, México, Holanda, Peru, Polônia, Rússia, Coreia do Sul, Suécia, Argentina, Chile, Colômbia e Brasil. Segundo a Ipsos, as amostras são representativas da composição populacional dos países — embora, em parte deles (Brasil inclusive), ela reflita a opinião de uma população majoritariamente urbana, próspera e com mais acesso à educação. https://www.bbc.com/portuguese/brasil-57993147
  7. Em São Paulo, mortes em confrontos caíram a zero em batalhões onde medida foi implementada. Especialistas elogiam iniciativa, mas destacam que somente acoplar câmeras a uniforme não basta para mudar atitude da polícia. Polícia Militar de São Paulo implementou recentemente o uso de câmeras nas fardas de 3 mil dos 85 mil agentes da tropa O Brasil registrou, em 2020, o maior patamar de letalidade policial já observado desde 2013, quando o Fórum Brasileiro de Segurança Pública começou a monitorar o indicador. Os agentes de segurança pública são responsáveis por 12,8% do total de mortes violentas no país. Em uma tentativa de mudar esse cenário, a Polícia Militar de São Paulo (PMESP) implementou recentemente o uso de câmeras nas fardas de 3 mil dos 85 mil agentes da tropa. No mês de junho, quando a iniciativa Olho Vivo teve início, houve queda de 54% nas mortes por intervenção policial, em comparação com o mês anterior. Nenhuma morte foi registrada nos 18 batalhões que estão usando câmeras. Os resultados iniciais do projeto sinalizam uma alta eficácia da medida no controle da ação policial. Entretanto, experiências internacionais demonstram que o impacto da utilização de câmeras nos uniformes está condicionado a uma série de fatores. A decisão de equipar a PM com as chamadas bodycams foi anunciada pelo governador de São Paulo, João Doria, em meio a uma crise. Na véspera, filmagens de uma abordagem violenta conduzida por agentes paulistas foram veiculadas em rede nacional. As imagens exibiam um policial pisando sobre o pescoço de uma comerciante, deitada no chão, de forma muito semelhante à abordagem que levou à morte de George Floyd nos Estados Unidos e gerou uma onda de protestos global. Eleito em 2018 com um discurso conservador na segurança pública, Doria tem buscado se afastar do bolsonarismo também nessa área. Há cerca de um ano, a PMESP adotou um programa completo de controle de uso da força e redução da letalidade das ações policiais. A cada vez que ocorre uma morte durante ação policial, o comandante do batalhão é chamado a prestar esclarecimentos no comando central da polícia, e é aberta uma investigação sobre o caso em questão. Câmeras não bastam As mudanças implementadas em São Paulo são elogiadas por especialistas. Rafael Alcadipani, pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e professor da Escola de Administração da Fundação Getúlio Vargas (Eaesp/FGV), ressalta a importância de analisar os resultados iniciais do uso de câmeras em São Paulo no bojo da nova abordagem observada na segurança pública paulista. Ele defende a eficácia da medida, desde que se crie a estrutura tecnológica necessária para o processamento do material coletado. "O volume de imagens gerado por um policial ao longo de sete dias é enorme. É preciso que a polícia consiga ser capaz de analisar essas imagens e, quando identificar deslizes, gerar a sanção devida. Caso contrário, no médio prazo, a utilização dessas câmeras vai cair em falta de credibilidade por parte dos policiais", pondera. A socióloga Silvia Ramos, coordenadora da Rede de Observatórios de Segurança, acredita que a utilização de câmeras nos uniformes dos agentes pode ser altamente eficaz no controle da atividade policial, desde que acompanhadas por planos consistentes de redução da violência policial. "Nós não temos a ingenuidade de pensar que as câmeras corporais, sozinhas, vão mudar a atitude da polícia", diz a pesquisadora. "Hoje, é difícil termos acesso até aos números da violência letal, crimes que são obrigatoriamente registrados na polícia. Imagine como seria com as imagens das câmeras dos policiais em situações questionáveis ou duvidosas." A experiência internacional Em países como EUA e Reino Unido, onde a instalação de câmeras nos uniformes policiais vem sendo adotada, a iniciativa também foi motivada por casos emblemáticos de arbítrio. Em dezembro de 2014, o então presidente americano, Barack Obama, destinou 263 milhões de dólares para ajudar os estados na aquisição dos equipamentos. A medida foi tomada logo após o assassinato do jovem Michael Brown, de 18 anos, durante uma abordagem policial na cidade de Fergunson. Um relatório publicado no ano passado pela National Police Foundation apresentou um balanço do uso das bodycams nos EUA após dez anos das experiências iniciais. Embora a avaliação individual de certos casos apontem resultados expressivos no controle do uso da força, por exemplo, não é possível estabelecer tendências conclusivas, segundo o estudo. Há locais onde a instalação de câmeras não trouxe qualquer modificação dos indicadores. No Reino Unido, por sua vez, a implementação da medida levou ao surgimento de novos debates. Um tema central é o armazenamento dos dados: por quanto tempo devem ser mantidos, a fim de garantir seu uso e ao mesmo tempo a privacidade dos agentes? Os custos de manutenção dos bancos de dados e o gerenciamento dos mesmos por empresas privadas também geram controvérsias na avaliação da iniciativa, cujos resultados não apresentam um padrão linear. Desvio de propósito? Ao longo da implementação do uso de câmeras em uniformes policiais, o real propósito da iniciativa também passou a ser cada vez mais questionado. Um estudo publicado em 2016 pelo Centro de Políticas Criminais Baseadas em Evidências da Universidade George Mason, dos EUA, mostrou que as imagens captadas pelas bodycams foram utilizadas por procuradores para processar cidadãos privados em 92,6% dos casos. Em apenas 8,3% o material coletado serviu a investigações contra policiais. O início da utilização de câmeras pela PM de São Paulo tem motivado preocupações nessa direção. A ONG Artigo 19, que atua na defesa da liberdade de expressão e do acesso à informação em diferentes países, sustenta que há um maior risco de os cidadãos serem criminalizados do que protegidos por esse instrumento. "A tecnologia nunca é neutra", alertou recentemente a diretora-executiva da organização, Denise Dora. Quando apresentou o programa Olho Vivo, o governador João Doria afirmou que o programa não tinha como objetivo reduzir a letalidade policial, pois seriam "poucos os policiais que cometem excessos". A finalidade, segundo o tucano, seria "auxiliar nas provas das ações policiais e, com isso, preservar a maioria da corporação". Em junho, o governador do Rio, Claudio Castro (PL), sancionou um projeto de lei que determina a implementação de câmeras de vídeo e áudio em uniformes e aeronaves policiais. Castro, no entanto, vetou os trechos que estabeleciam o prazo de dois anos para que 50% das viaturas, aeronaves e uniformes fossem equipados. https://www.dw.com/pt-br/câmera-nas-fardas-pode-ser-solução-para-a-violência-policial/a-58673147
  8. FILA BOA - Castelo de Chambord, na França: o país voltou a receber visitantes em seus museus e prédios históricos - Guillaume Souvant/AFP O Parlamento da França promoveu nesta segunda-feira (26) alguns ajustes no passe sanitário do país. Criado pelo presidente Emmanuel Macron na última semana, o documento atesta que o cidadão está livre da covid-19. E tornou-se obrigatório para o acesso a uma série de ambientes fechados, incluindo bares e restaurantes. Ela tem como objetivo central aumentar a vacinação entre os refratários. O passe é obrigatório para profissionais de saúde e cuidadores de idosos. Para ter acesso, o indivíduo deverá baixar em seu telefone o aplicativo TousAntiCovid (todos contra a Covid), que já existia para ajudar a rastrear a propagação do vírus no país. Desde o dia 19 de julho, ele também passou a armazenar o resultado de um teste oficial e negativo para o novo coronavírus. Além disso, também há um espaço para comprovantes de vacinação e certificados de recuperação da doença. Na entrada de estabelecimentos e pontos turísticos onde ele é obrigatório, como a Torre Eiffel, um funcionário do local irá escanear um código QR gerado pelo app para atestar a sua comprovação. Estrangeiros que visitarem a França também precisarão baixá-lo para apresentar a documentação necessária. Shoppings com mais de 20 mil metros quadrados, supermercados e lojas de artigos de primeira utilidade serão liberados para todos, sem a necessidade de apresentação do passaporte. Porém, uma emenda permite aos prefeitos não só retornar com a obrigatoriedade como também fechar parte do comércio se houver um aumento substancial nos casos de Covid-19. Os deputados franceses também promoveram uma série de mudanças. Ficou proibida a demissão de funcionários de bares, restaurantes e profissionais da saúde. Agora, a possível demissão foi substituída por uma suspensão do contrato de trabalho. Outra mudança diz respeito às sanções aplicadas aos estabelecimentos que descumprirem as novas regras. No primeiro modelo, empregadores que não verificassem seus clientes estariam sujeitos a uma multa de 1,5 mil euros e um ano de prisão. Já o isolamento social dos infectados pela Covid-19 não fica mais a cargo dos policiais, no entanto os assistentes sociais responsáveis pelo controle podem recorrer às autoridades caso não haja cumprimento das normas. No que diz respeito à vacinação, adolescentes maiores de 16 anos não precisam mais de autorização dos pais para receberem a dose. https://veja.abril.com.br/mundo/apos-mudancas-entenda-como-funciona-o-passaporte-sanitario-da-franca/
  9. Medida foi pensada para incentivar os americanos a buscarem pela vacinação. País vem encontrando dificuldades em atingir a imunidade coletiva e tem experimentado uma ‘pandemia de não-vacinados’. O prefeito de Nova York, Bill de Blasio , anunciou nesta quarta-feira (28) que a cidade vai pagar US$ 100 (cerca de R$ 500) para quem for se vacinar contra a Covid-19 no município. A medida passa a valer a partir de sexta-feira (30), quando qualquer pessoa que for a um centro de vacinação receber sua dose receberá um cartão de débito pré-pago com a quantia. “Os incentivos ajudam imensamente a aumentar as taxas de vacinação”, disse de Blasio em um pronunciamento. A oferta de benefícios tenta atingir os cerca de 2 milhões de nova-iorquinos que ainda não se vacinaram contra a Covid-19, e é aumentada pela preocupação com a variante delta. Mais transmissível, essa cepa do vírus já se tornou dominante nos Estados Unidos, e o país enfrenta o que vem chamando de uma “pandemia dos não-vacinados” com aumento nos casos e mortes dentro desse grupo. Segundo as estatísticas oficiais, cerca de 70% dos moradores da região já receberam a primeira dose da vacina, mas apenas cerca de 60% estão protegidos com as duas doses necessárias. A cidade já vinha oferecendo benefícios aos vacinados, como bilhetes ilimitados de metrô, ingressos para partidas de beisebol, comida e até mesmo cerveja algumas pessoas já ganharam se vacinando. https://g1.globo.com/google/amp/mundo/noticia/2021/07/28/cidade-de-nova-york-vai-pagar-us-100-para-quem-se-vacinar-contra-a-covid-19.ghtml?__twitter_impression=true
  10. O presidente francês, Emmanuel Macron, usa colares de flores e conchas ao chegar ao Atol Manihi, na Polinésia Francesa, na segunda-feira (26) — Foto: AP Photo/Esther Cuneo A questão dos testes nucleares foi um dos principais motivos da viagem do presidente Emmanuel Macron à Polinésia Francesa, onde reconheceu a existência de uma "dívida" com esse território no oceano Pacífico. Até hoje, nenhum governo pediu oficialmente desculpas pelos mais de 200 testes realizados durante 30 anos no local. Foi preciso esperar até os 42 minutos do último discurso na viagem de quatro dias que Macron realiza à Polinésia Francesa. Na sede da presidência do governo local, diante de centenas de pessoas, com o pescoço adornado por colares de flores tradicionais da localidade, o presidente francês finalmente mencionou a delicada questão. "Eu queria lhes dizer que a nação tem uma dívida em relação à Polinésia Francesa. Durante muito tempo, o Estado preferiu manter o silêncio sobre esse passado. São 30 anos de explosões sucessivas. O que eu quero quebrar hoje é esse silêncio. Eu assumo e quero a verdade e a transparência com vocês", afirmou. O cumprimento das promessas deve começar com a abertura de arquivos militares sobre os polêmicos testes nucleares realizados no território de 1966 até 1996. A iniciativa permitirá aos polinésios conhecer a localização e a intensidade precisa desses exercícios que deixaram milhares de vítimas – muitas delas sofrem até hoje de câncer. Por isso, o presidente francês prometeu também uma melhor indenização aos atingidos. Segundo ele, os serviços do Estado estarão encarregados de encontrar potenciais vítimas em arquipélagos longínquos do território. "Confiem em mim como eu confio em vocês. É preciso tempo. Eu lhes digo tudo o que eu sei: diante de vocês, eu assumo e reconheço. Gostaria que, juntos, possamos afastar essas nuvens e essa sombra, porque temos juntos uma nova página a escrever, feita de ambição e futuro", reiterou. No entanto, uma palavra, tão esperada pelos polinésios não foi pronunciada: desculpa. Macron descartou o pedido porque, segundo ele, como o general de Gaulle na época, ele não sabe se caso estivesse na mesma posição também poderia ter ordenado os testes nucleares. "Eu poderia me livrar deste assunto pedindo desculpas, como fazemos quando esbarramos em alguém para poder continuar nosso trajeto, mas isso é muito fácil. E é muito fácil para um presidente da República da minha geração dizer que, de alguma forma, meus antecessores erraram, que o pior foi feito", argumentou. Para ele, a escolha dos testes foi feita na época para que a França pudesse contar com armas nucleares, "especialmente para defender a Polinésia Francesa". Testes nucleares durante 30 anos Em 1966, sob o comando do general Charles de Gaulle, a França transferiu seu campo de testes no deserto do Saara aos atóis de Mururoa et Fangataufa, onde realizou 193 exercícios nucleares atmosféricos até 1974, e subterrâneos até 1996. Macron reconheceu que o mesmo tipo de teste não teria sido feito "em Creuse ou na Bretanha", regiões da França continental. "Foram feitos aqui porque era mais longe, porque era um local perdido no meio do Pacífico", assumiu. Os anúncios ocorrem cinco anos depois do reconhecimento, pelo então presidente francês, François Hollande, durante uma visita em 2016, sobre "o impacto ao meio ambiente e à saúde" dos testes nucleares na Polinésia. Na época, o chefe de Estado fez uma série de promessas, mas muitas delas ainda não foram cumpridas, como a abertura de um memorial dedicado à questão. O presidente da Polinésia Francesa, Edouard Fritch, comemorou o discurso de Macron. Segundo ele, "após 25 anos de silêncio, a verdade será finalmente colocada sobre a mesa". No entanto, para as vítimas, os anúncios são insuficientes. "Não teve nenhum avanço, apenas demagogia. As mentiras do Estado continuam", criticou Auguste Uebe-Carlson, presidente da associação 193. https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/07/28/macron-nao-pede-desculpas-mas-reconhece-divida-da-franca-com-a-polinesia-por-testes-nucleares.ghtml
  11. Na falta total de interlocutores de primeiro escalão, Bolsonaro se encontrou com uma obscura deputada ultradireitista alemã. O encontro sublinha o desastre que o bolsonarismo perpetrou na política externa do país. Bolsonaro entre a deputada Beatrix von Storch e o marido dela, Sven von Storch No momento, praticamente não existe um chefe de governo democrático que queira se encontrar com Jair Bolsonaro. Na União Europeia, evita-se prudentemente o presidente brasileiro, pois isso não pegaria bem junto ao eleitorado. Nem mesmo os fãs do britânico Boris Johnson devem ter uma opinião muito boa de Bolsonaro, conhecido no exterior sobretudo por duas coisas: a devastação da Floresta Amazônica e sua catastrófica gestão da pandemia, com mais de 550 mil brasileiros mortos. Como ninguém quer se encontrar com Bolsonaro, ele aceita o que vem. Nesse caso foi, justamente, Beatrix von Storch, deputada federal e vice-porta-voz da ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD). Não se trata de um partido normal: o Departamento Federal de Proteção da Constituição – uma espécie de Abin alemã – levantou suspeitas de que a sigla abrigaria extremistas e impunha ameaças à ordem democrática, chegando a colocá-la sob observação do serviço secreto. Além disso, o presidente do Brasil se encontrou com uma mulher que tachou a chefe de governo alemã, Angela Merkel, de "a maior criminosa da história da Alemanha do pós-guerra". O fato de ele se deixar ser visto ao lado dessa pária sublinha mais uma vez o desastre que o bolsonarismo perpetrou na política externa brasileira. A perda de importância do país é dramática: Bolsonaro reduziu o Brasil de peso-pesado internacional a mero peso-mosca. É mais ou menos como se Merkel marcasse uma reunião com o deputado (e palhaço) brasileiro Tiririca, para discutir com ele o futuro da Europa e da América Latina. O problema não são os avós Como mostram as fotos do encontro, Bolsonaro e Von Storch se divertiram à beça. Poucas vezes se viu o presidente com um sorriso tão largo, e a ultradireitista alemã tão relaxada. O problema do encontro não é a ascendência de Beatrix von Storch – como enfatizaram diversos veículos de imprensa brasileiros. De fato, ambos seus avôs estiveram profundamente envolvidos nos crimes nazistas: um como ministro de Adolf Hitler (e criminoso de guerra condenado), e o outro como membro convicto do Partido Nacional-Socialista (NSDAP) e oficial da milícia SA. Só que milhões de alemães têm antepassados que veneravam Hitler, injuriavam os judeus e se apoderaram de suas fortunas quando foram deportados e assassinados. Os avôs e bisavôs da maior parte dos alemães eram soldados da Wehrmacht, as Forças Armadas nazistas, ou até membros do NSDAP ou da força paramilitar SS. Um de meus avôs viveu por um breve período num apartamento em Gleiwitz (hoje Gliwice, na Polônia) que pertencia a judeus deportados. A cidade fica próximo ao campo de extermínio de Auschwitz, e minha mãe se lembra até hoje que em certos dias "chovia cinza". Ninguém lhe explicava por quê. Meu outro avô voltou para casa de um campo de prisioneiros soviético cinco anos após o fim da Segunda Guerra, mudo e sem reconhecer os filhos. Ele jamais falou sobre a guerra. Nós supomos que ele vivenciou coisas terríveis e talvez também tenha participado de atrocidades. "Pérolas" da ultradireita alemã Não se pode condenar os alemães de hoje à punição coletiva. E tampouco se pode acusar Beatrix von Storch de ter a família que tem. O que pode lhe ser imputado é ela dar continuidade à ideologia criminosa de seu avô. Ela disse que é lícito atirar em refugiadas e seus filhos que tentem atravessar a fronteira para a Alemanha, e pertence a uma sigla, a AfD, cujos deputados e funcionários disseram coisas como estas: "Afinal, agora nós temos tantos estrangeiros no país que valeria a pena mais um Holocausto." "Eu desejo tanto uma guerra civil e milhões de mortos, mulheres, crianças. Para mim, tanto faz. Seria tão bonito. Quero mijar nos cadáveres e dançar em cima dos túmulos. Sieg Heil!" "Esse tipo de gente [estrangeiros e esquerdistas], é claro que temos que eliminar." "Quando a gente chegar, vai ter arrumação, vai ter purgação!" "Homossexuais na prisão? A gente também devia fazer isso na Alemanha!" "Precisamos atacar e acabar com os meios de comunicação impressos." "Lares para refugiados em chamas não são um ato de agressão." "Fuzilar a corja ou mandar de volta para a África abaixo de pancadas." Solidão patética É possível que tais declarações nem soem tão estranhas para os leitores brasileiros. Seu presidente já soltou coisas do gênero, por exemplo: "Fazendo o trabalho que o regime militar não fez, matando uns 30 mil, começando com o FHC. Não deixar pra fora, não, matando. Se vai morrer alguns inocentes, tudo bem, tudo quanto é guerra morre inocente." Portanto, é inegável o parentesco de espírito entre Bolsonaro e Von Storch. Ambos são representantes da nova ultradireita global, que prega racismo, homofobia e autoritarismo, e para tal se serve de táticas, formulações e teorias de conspiração análogas. O mais absurdo que compartilham é a afirmação de que defenderiam "valores conservadores e cristãos". Eles não defendem valor nenhum! Jair Bolsonaro e Beatrix von Storch são irmão e irmã no espírito. O fato de o presidente brasileiro – assim como seu filho Eduardo, ou o ministro da Ciência Marcos Pontes – se encontrar com essa pária da política alemã mostra, acima de tudo, quão solitário e absolutamente incompetente esse governo se tornou. Está isolado por ser incapaz de travar um diálogo com quem pense diferente. Diplomacia lhe é uma palavra desconhecida. Para o Brasil, que há poucos anos ainda tinha um peso no mundo como país de referência, é uma tragédia. https://www.dw.com/pt-br/o-brasil-de-bolsonaro-um-anão-no-cenário-internacional/a-58663839
  12. O encontro do presidente Jair Bolsonaro com a deputada do partido alemão de ultradireita AfD, Beatrix von Storch, não deve ser explorado pela legenda e significou uma decisão independente da parlamentar, avaliam pesquisadoras alemãs. A fama mundial de Bolsonaro como permissivo com o desmatamento na Amazônia deve restringir a divulgação da reunião a publicações nas redes sociais de von Storch. As recentes enchentes que atingiram diversas regiões da Alemanha e deixaram pelo menos 180 mortos no país colocaram as mudanças climáticas no centro do debate político, acirrado pela aproximação das eleições nacionais em setembro deste ano. Um ponto desfavorável para a AfD, que é o único partido no país a negar a interferência humana no aquecimento global. Para a diretora do programa Futuro da Democracia no think tank alemão Das Progressive Zentrum, Paulina Fröhlich, a questão climática faz com que o encontro com Bolsonaro não seja atraente para ser usado neste momento pela AfD. “Apesar de ser possivelmente reconhecido como positivo pelo núcleo duro de apoiadores do partido, eu diria que não ajuda a AfD com os indecisos, que não irão apreciar uma reunião com alguém responsável pelo enorme desmatamento de uma floresta”. Já a jornalista e autora do livro Angst für Deutschland: Die Wahrheit über die AfD: wo sie herkommt, wer sie führt, wohin sie steuert (Medo pela Alemanha; a verdade sobre a AfD: de onde vem, quem a lidera e para onde está sendo liderada, em tradução literal), Melanie Amann, pontua que Von Storch é considerada uma parlamentar independente em seu partido, e toma decisões sobre sua agenda não necessariamente alinhadas às da legenda, o que a tornou não muito popular na sigla. “(Von Storch) Sempre levantou as bandeiras anti-aborto e pelos valores familiares. Teve plataformas que eram um pouco paralelas às do partido”, relata a jornalista. “Ela (von Storch) vem como uma política da AfD, mas ela não faz para o partido, como estratégia de se conectar ao Bolsonaro. É em seu próprio proveito”, diz Amann. “A política internacional da AfD é caótica. Eles não têm uma estratégia de como querem se colocar internacionalmente. Sempre há representantes do partido viajando ao redor do mundo”, acrescenta. A fragmentação citada por Amann faz parte do conflito interno que a AfD tenta superar para melhorar sua votação na próxima eleição nacional. A ala moderada do partido, de inspirações neoliberais, têm como principal figura o deputado Jörg Meuthen. Von Storch defende valores conservadores, mas não faz parte da ala radical, o antigo braço da sigla chamado Der Flügel (A Asa, em tradução literal), de inspiração neonazista. Ela perdeu a eleição interna para a liderança executiva no estado de Berlim, em março deste ano, para Kristin Brinker, que teve o apoio de membros desse grupo ainda mais radical. A identificação do Der Flügel – que tem como um de seus principais líderes Björn Höcke, da Turíngia – com ideias neonazistas fez o Escritório Federal de Proteção à Constituição (BFV na sigla em alemão) colocar o braço do partido sobre vigilância, e, posteriormente toda a sigla. Decisão provisória subsequente da Justiça alemã proibiu a Bfv de tornar público o monitoramento, sob o argumento de que poderia interferir nas eleições. A vigilância ocasionada pelo extremismo do grupo fez o Der Flügel ser oficialmente dissolvido pela AfD em abril do ano passado. Na última pesquisa de intenção de votos para a eleição federal, divulgada nesta segunda-feira (26), a AfD aparece com 11% das intenções de votos, perto dos 13% alcançados na última eleição, em 2017. O negacionismo e a falta de resposta para problemas reais impedem o crescimento da legenda, segundo Amann. “Durante a pandemia a AfD não teve conceito, solução. Eles só têm uma solução fácil, populista. Não têm realmente uma ideia de como governar o país de forma profissional”. Para Fröhlich, o encontro com Bolsonaro faz parte da estratégia de líderes nacionalistas de ultra direita de se conectarem aos seus pares em outros países e mostrarem aos seus apoiadores que não estão isolados internacionalmente. “Eles precisam mandar uma mensagem para a sua base de eleitores dizendo: eu não estou sozinho, tenho aliados internacionais e eles pensam como eu. Multilateralismo e cooperação internacional funcionam para eles desde que o outro pense igual. Isso é puro populismo de ultra direita”. Na convenção da sigla, em abril deste ano, que definiu os principais pontos do programa de governo a ser apresentado na eleição, os que ganharam maior destaque foram: rejeição à reunificação de familiares de refugiados, a saída da Alemanha da União Europeia e o fim das restrições para conter a propagação do coronavírus. https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,de-olho-na-eleicao-alema-partido-de-ultradireita-evitara-associacao-com-bolsonaro-dizem-analistas,70003792721?utm_source=twitter:newsfeed&utm_medium=social-organic&utm_campaign=redes-sociais:032021:e&utm_content=:::&utm_term=
  13. Braga Netto, Paulo Guedes e Fábio Faria estão entre os ministros homenageados Bolsonaro, Lira e Pacheco O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) concedeu a Medalha do Mérito Oswaldo Cruz a alguns ministros, presidentes do Congresso e até à primeira-dama, Michelle Bolsonaro. A medida foi publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (28). Entre os 12 ministros condecorados estão Paulo Guedes (Economia), Fábio Faria (Comunicações), Milton Ribeiro (Educação), Luiz Ramos (Secretaria-Geral da Presidência) e Walter Braga Netto (Defesa). Entre os aliados, receberam a homenagem o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e o general Joaquim Silva e Luna, indicado por Bolsonaro para presidir a Petrobras. O médico-cirurgião que realizou a operação do presidente após a facada em setembro de 2018, Antônio Luiz de Macedo, também receberá a honraria. https://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2021-07-28/bolsonaro-medalha-de-merito-lira--pacheco--michelle-e-12-ministros.html
  14. Flávio Bolsonaro vai ser suplente da CPI da Pandemia Filho do presidente vai assumir vaga cedida a ele por bloco formado por PP, Republicanos e MDB após Ciro Nogueira ir para a Casa Civil Após a indicação do senador Ciro Nogueira (PP-PI) como ministro-chefe da Casa Civil, o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) passará a constar como integrante da CPI da Pandemia no Senado, atuando a partir do retorno da comissão na próxima semana. O filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é o único senador do Patriota e não teria direito a ser integrante. No entanto, vai assumir uma vaga de suplente que foi cedida a ele pelo bloco parlamentar Unidos pelo Brasil, formado por MDB, PP e Republicanos. Com a saída de Ciro da CPI para ir ao Palácio do Planalto, o bloco oficializou o senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) como novo titular e a indicação de Flávio Bolsonaro para a vaga de suplente. Isso faz com que Heize e Flávio representem o mesmo bloco parlamentar que o relator Renan Calheiros (MDB-AL). As mudanças não impactam a divisão de poder dentro da comissão. O grupo atualmente majoritário, o G7 formado por senadores independentes e de oposição, segue com a mesma composição. Segundo apuração do analista da CNN Caio Junqueira, há expectativa de Ciro Nogueira, uma vez na Casa Civil, conseguir atrair ao menos o senador Eduardo Braga (MDB-AM) para foco do bloco. Flávio Bolsonaro durante sessão na CPI da Pandemia https://www.cnnbrasil.com.br/politica/2021/07/27/flavio-bolsonaro-vai-ser-suplente-da-cpi-da-pandemia
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