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Ricardo Viz

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Everything posted by Ricardo Viz

  1. Existe o case Levy, mas também existe o case Palocci, que bem ou mal teve bastante respaldo do Lula e só caiu por conta do escândalo Francenildo. Caso vença mesmo a eleição, Lula pode eventualmente tentar emular a estratégia do primeiro mandato: chama para o Ministério da Fazenda um político do PT (como chamou o Palocci) que indique para as secretarias mais importantes da pasta nomes como o Arida. Seria uma forma de se alinhar em algum grau ao mercado (que, goste-se ou não, tem um papel relevante) sem causar tanto estremecimento assim na militância - na época o máximo que aconteceu foi o surgimento do PSOL. A questão é o que realmente quer o Lula. A escolha do Arida para coordenar o plano econômico da campanha iria contra a maior parte do discurso econômico da pré-candidatura nos últimos meses. Na hora h, ele vai "repetir" 2003? A conferir.
  2. Amigo, é um nome extremamente respeitado, um dos grandes economistas do país, teve um papel de muito destaque em praticamente todo o processo de elaboração, gestação e implementação do Plano Real. MAS, como já disseram, é historicamente muito ligado ao PSDB. E tem uma visão econômica mais liberal - nem de longe esse "neoliberalismo" super caricato defendido/propagado pelo Paulo Guedes, mas ainda assim uma visão liberal, próxima ao que vigorou no Brasil em boa parte do Governo Lula e no Governo FH. Seria uma sinalização forte para o mercado. Certamente parte da base detestaria, mas neste primeiro momento engoliria, claro (como aconteceu na indicação do Alckmin).
  3. Mais um baque e tanto para o Putin, praticamente no dia seguinte à derrota humilhante em Kharkiv. E diziam que a estratégia do Ocidente não estava dando certo...
  4. Rússia devidamente escorraçada de Kharkiv. Moscou perdendo a guerra, para espanto geral, protagonizando um vexame militar histórico. A estratégia ocidental funcionou.
  5. Boric é até aqui um bom presidente, muito sóbrio e racional, mas os chilenos queriam porra louquice, a impressão é que não vão descansar enquanto não destruir o que o país tem de bom em termos socioeconômicos. Nada muito diferente do restante da América do Sul, por sinal. Triste região.
  6. Já entrou. Não deixe de ver!
  7. Alguém aqui acompanhando Chiquinha Gonzaga? Minissérie estupenda. Imersão emocionante na sociedade do final do século 19 e nessa figura impressionante que foi a Chiquinha. Desperdício enorme o Lauro Cézar Muniz ter saído da Globo.
  8. Uai, não eras um veemente entusiasta do fim da hegemonia tucana em São Paulo, amigo?
  9. É muito cedo porque a contrarreforma espanhola entrou em vigor agora, há poucos meses. Não dá para aferir praticamente nada em termos de resultados práticos para o mercado de trabalho espanhol. O desemprego ainda é muito alto na Espanha, na casa dos 13%, mas no início dos anos 2010 estava bem pior, perto dos 30%.
  10. Geddel Vieira Lima. Já disse aqui várias vezes: acho excelente que Lula tenha jogado o discurso do golpi na lata do lixo, mas lendo essa notícia me pergunto se não está dando uma exagerada no pragmatismo...
  11. Por essas pesquisas aí, Rodrigo Neves é obviamente o nome mais competitivo para enfrentar Claudio Castro: um pouco menos de intenção de votos que o Freixo, mas rejeição bem menor. A questão é que ela não está muito em linha com outros institutos.
  12. Está muito claro: Lula gosta da Dilma… bem distante de Brasília/do Palácio do Planalto. No centro do poder, prefere mil vezes Alckmin e emedebistas que articularam o impeachment.
  13. Todos esses nomes saíram do PT bem antes da aliança com o PMDB. E cresceram absurdamente fora do partido nos anos seguintes. Não sei o que aconteceria se continuassem no PT, aí a gente entraria num campo de especulação/adivinhação. O fato é que concretamente o PT-RJ não tinha (e continua sem ter) nenhum quadro minimamente forte/competitivo para o PE em praticamente todas as últimas eleições do RJ. Era, como eu disse, um partido de suporte, de bastidor. A falta de capacidade (leia-se nomes fortes no momento dos pleitos) para algo além disso o levou a essa papel conveniente.
  14. Freixo não explodiu como político pelo PT, mas pelo PSOL. Gabeira não chegou muito perto da Prefeitura do Rio no PT, mas no PV. Chico Alencar não se tornou (por um bom tempo) o principal deputado federal da esquerda do RJ pelo PT, mas pelo PSOL. Até o Rodrigo Neves, que se elegeu prefeito de Niterói pelo PT, quando passou a planejar voos mais altos no estado não pestanejou em sair do partido. Não adianta a origem desses nomes ser o PT se na hora da verdade eles rejeitam o partido. E não é coincidência: em termos de Poder Executivo, o partido é muito fraco e inconsisente no estado, não tem nomes fortes, é muito mais um partido de suporte. Paes e Cabral, os principais nomes da política do RJ por muitos anos, por muito tempo foram do PSDB... O próprio Paes foi candidato a governador pelo PSDB em 2006. E daí? Os tucanos deixam de ser nanicos no Rio por isso? Essa argumentação não faz nenhum sentido. Reitero: em 2006 (quando PT e PMDB ainda não eram aliados nacionais, vale essa observação) o partido tentou emplacar o frágil Vladimir Palmeira (nada contra a pessoa dele, mas eleitoralmente era frágil) para o Palácio Guanabara. Era tudo o que ele tinha ali além da Benedita. E desde então muito pouco mudou - não à toa há um ano e meio tentaram emplacar, sem nenhum sucesso, a Benedita para a Prefeitura. Ela ser há 22 anos o principal nome do partido no estado em termos de competitivdade para o PE é sintomático.
  15. Porque não tinha quadros fortes/competitivos o bastante para o Poder Executivo, caro. O dilema do PT era se aliar a Cabral & cia, ocupando a vice e secretarias importantes, ou "se esforçar" e fatalmente chupar dedo nas eleições estaduais/municipais, sem chegar perto sequer de um segundo turno. Jamais um partido político grande (e que àquela altura ocupava o Planalto ainda por cima) abriria mão de um estado da importância política do Rio de Janeiro se tivesse nomes eleitoralmente fortes para o PE.
  16. A força do PT no Rio nos anos 2000 foi no máximo de um partido médio, de bastidor, sem um nome minimamente forte e competitivo para o Poder Executivo. Mesmo no auge do Governo Lula, o partido não conseguiu emplacar de verdade ninguém, vendo-se sempre obrigado a ficar a reboque do PMDB de Cabral, Paes e Picciani para ocupar cargos de alguma relevância. A tal ponto que a campanha que mais empolgou a esquerda carioca nos anos 2000 não foi nem de longe de um nome do PT, mas a do Gabeira em 2008. Embora, na prática, a coligação do Gabeira nem fosse propriamente de esquerda, o que só evidencia o enorme vácuo de lideranças de esquerda que o Rio viveu nos anos 2000. Foi um período de transição entre a decadência do brizolismo enquanto grupo político-ideológico mais organizado e a ascensão do PSOL, que, sob a figura do Freixo a partir de 2012, soube, aí sim, herdar e cativar um eleitorado de esquerda que desde o Garotinho em 98 estava amorfo, sem se empolgar com ninguém. Não disse que o PT é aliado do Castro. Me referi ao Ceciliano. Ele foi, sim, forte aliado do governador nos últimos anos e isso vem sendo muito debatido pela imprensa fluminense nos últimos meses: https://diariodorio.com/claudio-castro-e-andre-ceciliano-o-fim-de-um-casamento/ https://www.metropoles.com/colunas/guilherme-amado/ao-lado-de-petista-claudio-castro-fala-em-chapa-dos-sonhos https://www.folha1.com.br/_conteudo/2021/10/politica/1277142-andre-ceciliano-diz-que-cladio-castro-so-perde-para-ele-mesmo-em-2020.html https://oglobo.globo.com/politica/disputa-pelo-governo-do-rio-abala-alianca-entre-claudio-castro-presidente-da-alerj-25001262
  17. Teve o Vladimir Palmeira em 2006, lembra? Mal passou dos 7%. A esquerda do Rio tem uma influência muito forte do brizolismo. E o brizolismo nunca se deu lá muito bem com o petismo. Por isso quadros como Molon e Rodrigo Neves tendem a crescer quando trocam o PT por PSB, PDT etc. Por isso o PSOL sempre foi tão forte na capital e em Niterói. Ah, sim, e o Ceciliano, citado pelo @ recc33 , é um forte ALIADO do Claudio Castro, né? Bem diferente do Neves e do Molon. Vai subitamente virar adversário na eleição? Ou continuar a desempenhar um papel de linha auxiliar mesmo? Não dá, não dá.
  18. Basicamente o que na prática o Governo Bolsonaro fez na maior parte do mandato, ainda que marotamente, às custas de inflação, carestia e agora juros nas alturas. Derrubou drasticamente a inflação (inclusive a de alimentos), a taxa de juros, o Risco País, tirou o Brasil de uma recessão profunda de 2 anos e meio, ajudou a interromper uma perda gigantesca de empregos... Com a deterioração significativa do Tripé Macroeconômico, Teto de Gastos foi o principal arcabouço fiscal do Brasil entre 2016 e 2019. Não resultou num mundo ideal, mas inegavelmente nos salvou da insolvência, do colapso socioeconômico. Vão substituir o teto pelo quê? Pela inflação, como já está acontecendo? A ideia é essa? Continuar a ajustar as contas públicas via mercado, via carestia do povo brasileiro? Bom, realmente, está dando certo, a situação fiscal do país já começou a melhorar... É um caminho possível também. Cruel, a meu ver, mas perfeitamente possível.
  19. Para quem gosta de história e geopolítica, recomendo vivamente a coluna do Igor Gielow na Folha de S.Paulo hoje. Estamos, sim, num momento extremamente delicado, em que um movimento em falso pode desaguar numa grande guerra mundial - e o histórico (inclusive recente) da humanidade de forma alguma nos autoriza considerar sensacionalista ou exagerada esta constatação. Um otão a mais ou a menos pode - como tantas vezes - ser a diferença entre um momento geopolítico apenas tenso e um grande conflito mundial entre potências militares/nucleares. Conflito na Ucrânia muda de patamar e aumenta risco de Terceira Guerra Mundial O ataque russo ao Centro Internacional de Manutenção da Paz e Segurança de Iavoriv coloca o conflito na Ucrânia em um novo patamar, perigosamente perto do cenário mais tenebroso de todos, o de um embate entre Moscou e forças da Otan, a aliança militar ocidental. Em português, o risco de uma Terceira Guerra Mundial, nuclear como todos os lados já avisaram ser inevitável ao longo dessas semanas de crise. Se a hipótese já havia sido reintroduzida no cotidiano após 30 anos de dormência devido às ilusões do fim da Guerra Fria, agora ela está colocada na mesa. Ao executar o ataque, Moscou deu materialidade à ameaça feita pelo vice-chanceler Serguei Riabkov na véspera, de que os comboios com letais mísseis antitanque e antiaéreos enviados pelo Ocidente para Kiev seriam alvos militares legítimos. Por óbvio, eles o são. A Rússia está perdendo uma quantidade considerável de blindados em razão da ação desses armamentos. O ataque foi um alerta: a base de Iavoriv, a meros 25 km da fronteira polonesa, é um dos centros de recebimento e distribuição presumidos desses insumos letais. Local em que militares americanos ensinavam ucranianos a manejar o lançador portátil de mísseis antitanque Javelin pouco antes da guerra, Iavoriv é um dos pontos de contatos mais óbvios entre Otan e Kiev. Não será surpresa se algum dos mortos for ocidental, embora ninguém possa admitir isso. A ação coincidiu também com relatos de que Kiev e Moscou podem estar próximas de fazer avançar algum acordo, então pode também ser lida como um risco no chão feito pelos russos a fim de manter o Ocidente de fora dos termos das negociações. Se tivessem atacado um comboio, de resto o próximo passo lógico da escalada, os russos arriscariam matar algum polonês. O país vizinho, por sua longa história esmagada entre os interesses da Alemanha e da Rússia, que lhe privaram a soberania várias vezes, é provavelmente o mais agressivo membro da Otan. Foi em Varsóvia que se desenhou o plano de enviar sua frota de 28 caças MiG-29 para Kiev usar na guerra, só para ser refutado pelos EUA. É de lá também que saem os pedidos mais insistentes para que o apelo de Volodimir Zelenski para que o Ocidente implante uma zona de exclusão aérea na Ucrânia seja ouvido. Novamente, recebeu uma negativa da Otan, baseada na admissão cândida de que tal medida levaria a uma Terceira Guerra com a maior potência nuclear do mundo. Ainda assim, as engrenagens da guerra não param. Neste domingo (13), o presidente polonês, Andrzej Duda, um líder quase tão iliberal quanto Jair Bolsonaro ou o vizinho húngaro Viktor Orbán ou o rival Vladimir Putin, disse em uma entrevista que a Otan deveria considerar ir à guerra caso fossem usadas armas de destruição em massa na Ucrânia. Ele se refere às histórias contadas pelos dois lados. Segundo o Kremlin, os Estados Unidos custearam uma rede de laboratórios biológicos que, claro, só poderiam existir para fazer armas do gênero para proceder com o genocídio que dizem ocorrer no Donbass, no leste russo do país. Já os americanos dizem que isso é uma desculpa para que Putin faça uso deste tipo de arma, ou das químicas, que de resto sancionou para o ditador amigo Bashar al-Assad usar na guerra civil da Síria. Provavelmente ambos as partes estão mentindo ou exagerando, mas o que interessa é que a motivação vai se desenhando. Sob essa lente mais sombria, o ataque deste domingo foi só uma etapa inexorável. A visão mais otimista associa o alerta à possibilidade de um acordo. A confusão é clara porque a atividade militar russa no oeste da Ucrânia era bastante limitada. Houve uma tentativa frustrada de um ataque com helicópteros perto de Lviv nos primeiros dias do conflito, e, depois, só bombardeios esporádicos. Nada parecido com a violência em Mariupol, Kharkiv ou no entorno de Kiev. Os EUA já deslocaram duas baterias antiaéreas Patriot para a Polônia. Não se sabe o status operacional delas, mas basta um dos caças ou aviões de ataque que dispararam contra Iavoriv escapar um pouco de sua trajetória e cruzar o espaço aéreo polonês para o relógio adiantar um minuto rumo ao conflito maior. Houve um ensaio disso na própria Síria, quando um caça-bombardeiro Su-24 russo foi abatido por um F-16 por basicamente lamber a fronteira turca no começo da intervenção de Moscou por lá, em 2015. No fim, a diplomacia e os objetivos comuns falaram mais alto, mas não há chance de Varsóvia emular Ancara em seu comportamento e interesses. Em resumo, todos os envolvidos já têm sua narrativa pronta para agir em um próximo capítulo, e isso é aterrador, dado que estamos falando de forças que detêm quase a totalidade das ogivas nucleares do planeta. Durante a crise dos mísseis de Cuba em 1962, o presidente John Fitzgerald Kennedy mandou distribuir entre todos os comandantes das Forças Armadas dos Estados Unidos o livro "Os Canhões de Agosto", publicado naquele ano pela historiadora americana Barbara Tuchman. A obra resumia, de forma concisa e brilhante, como cada fator da crise que levou à Primeira Guerra Mundial em agosto de 1914 se moveu como uma peça autônoma de uma grande engrenagem, ignorando consequências de suas decisões. Políticas de alianças rígidas, certezas obsoletas e percepções incorretas fizeram ao fim o mundo desabar no grande conflito, que só teve seu desfecho na ainda mais mortífera Segunda Guerra Mundial 25 anos depois. Ao fim, ambos os conflitos colheram algo como 100 milhões de almas. Não se sabe se os militares de Kennedy leram o livro, mas aquele momento acabou com a assertiva do presidente: "Não entraremos em guerra", disse, desafiando o maquinário fardado que jogava Washington em um conflito nuclear. Em 1983, ele voltaria a se mexer com grande perigo, embora menos publicidade. Quase 60 anos depois da crise de Cuba, alguém deveria levar cópias do livro de Tuchman para Putin, Joe Biden, Duda, Zelenski e tantos outros. https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2022/03/conflito-na-ucrania-muda-de-patamar-e-aumenta-risco-de-terceira-guerra-mundial.shtml
  20. A distância (39 X 31) de fato é maior que em novembro, mas menor que em fevereiro, quando estava 40 X 29 no primeiro turno. Confirma o que outros institutos (DataPoder, CNT/MDA, Modal, Ipespe) vêm apontando, ainda que quase sempre dentro da margem de erro: uma pequena reação do Bolsonaro nas últimas semanas. Suficiente para se reeleger? Não creio. Mas olho aberto sempre, claro.
  21. Conheço bem essa estratégia psicológica de ser excessivamente pessimista para tentar não criar expectativas e evitar frustrações. Não é de hoje que percebo que você a usa muito na política. Me corrija se eu estiver enganado. Entendo bem, amigo. Mas, se me permite a sugestão, vai com calma também Bolsonaro deu sim uma reagida, mas a distância continua muito grande.
  22. A tal viagem para a Ucrânia estava muito estranha mesmo. Era basicamente turismo sexual no meio da guerra, então.
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