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1998: TV paga enfrenta grave crise no Brasil...


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Análise

TV paga enfrenta grave crise

Quando a TV Paga foi implantada no Brasil, analistas previram que este seriam um dos setores de maior crescimento na economia do pais. E o começo não foi diferente. O crescimento anual foi de dois dígitos. Ações de empresas do setor como a Multicanal tiveram ótimo desempenho na Bolsa de Valores e a previsão para o ano 2000 era de atingir a marca de 8 milhões de assinantes ( no momento são 2,4 milhões de assinantes). O cenário no entanto começou a mudar a partir de 1997. Apesar da grande quantidade de novas assinaturas, notava-se um aumento no numero de desistências e da inadimplência. Neste ano de 1998, o improvável está acontecendo: a empresas lutam para simplesmente manterem o atual número de assinantes. A taxa de inadimplência pulou de 6% para 16% e a rotatividade chegou a níveis absurdos, variando de 30% a 60%. Sem crescimento capaz de custear os pesados investimentos realizados, as operadores mergulham numa profunda crise, contabilizando pesados prejuízos. O que teria levado este setor a um cenário tão inesperado?

Algumas analises culpam a crise econômica provocada pelo colapso da economia asiática como grande responsável. Mas uma analise mais profunda desmente este argumento. Estamos num ano de Copa do Mundo, período em que há um crescimento de todos os setores envolvidos. Assim como ocorreu o aumento da venda de televisores e das verbas publicitarias, também era de se esperar que houvesse um forte crescimento da TV paga. Afinal, ela possui condições de oferecer produtos diferenciados como a transmissão de jogos em horários alternativos, mesas-redondas, etc. Mas o que tem acontecido é uma preocupante diminuição da audiência das TVs Pagas e a estagnação do número de assinantes. O que vem ocorrendo é explicado pela postura equivocada adotada pelos empresários do setor.

No inicio era necessário se criar uma infra-estrutura para a operação. A instalação de antenas, cabos e satélites eram a principal prioridade. A venda de assinaturas ocorria sem maiores problemas criando um base de sustentação financeira. Estes assinantes eram formados por famílias da classe A e B, de alta poder aquisitivo e/ou grande interesse em assimilar culturas diversas e novos conhecimentos. Em virtude disto, a programação oferecida foi bem recebida. A medida em que as TVs pagas aumentaram sua base de assinantes, deparou-se com novos perfis de assinantes. Já não bastavam canais como o Sony, Superstation, CNN ou RAI, entre outros, que ofereciam uma programação em língua estrangeira e sem qualquer forma de tradução. Para piorar as coisas, empresas como a NET promoveram atualizações tecnológicas obrigando seus assinantes a arcar com as despesas. A repulsa foi inevitável e o resultado foi um clima de insatisfação com o serviço oferecido, levando a NET a se tornar uma da lideres de reclamações no PROCOM. O erro da NET num primeiro momento beneficiou a TVA que obteve desde então um desempenho superior. Mas mesmo a TVA também vem enfrentando sérios problemas.

É na falta de sensibilidade das operadoras ante o gosto do público brasileiro que encontramos a principal causa da crise do setor. Não basta uma enorme quantidade de canais. Hoje, o proprietário de antena parabólica de banda C possui a sua disposição cerca de 14 canais abertos, todos em português, com produção local, atendendo aos mais diferentes gostos e sem nenhuma despesa ao espectador. Um assinante de TV paga recebe num pacote popular uma quantidade semelhante de canais, sendo a maioria produzidos no exterior e originalmente destinados a classe média norte-americana, muitos sem qualquer forma de tradução. Um bom exemplo disto é a CNN. Qual interesse pode ter a maioria dos espectadores brasileiros em assistir tal canal? Mesmo assim, todos os pacotes disponíveis incluem a CNN. Mesmo o CBS Telenoticias, que ao menos é em português, possui dificuldades em atender as espectativas. A produção do canal é feita em Miami e boa parte do noticiário é preenchido com mateiras produzidas pela CBS para atender ao publico norte-americano. Faz-se apenas uma dublagem sobre a reportagem. A falta de produção de programas no Brasil leva a criação de um novo problema: a falta de identificação do público com o canal. Faltam rostos, pessoas que possibilitem o surgimento de uma relação mais forte com o espectador. É incrível que um canal como o ShopTime possua um grande numero de fãs, explicado pelo fato de ser um dos poucos canais onde o público pode associar o canal a imagem de seus apresentadores. Verifica-se também um excesso de reprises na maioria dos canais, o chamado horário alternativo. Canais como o Eurochanel chega a repetir dezenas de vezes o mesmo filme. Isto diminui a noção de valor do mesmo, dando-se a impressão de se possuir apenas uma fração de canal. Resta ainda o problema da forma como os pacotes de canais são compostos. A maioria das pessoas prefeririam escolher os canais comporiam o pacote a ser adquirido, mas são obrigadas a assinar dezenas de canais sem o menor interesse.

Como podemos ver, não são poucos os problemas enfrentados pela TV paga no Brasil. E não adianta argumentar que na Argentina mais de metade das residências possuem TV paga. A situação é completamente diferente. A Argentina por ser um pais de língua hispânica, possui uma maior disponibilidade de canais na língua nativa. O argentino que possui uma enorme admiração pela cultura européia, o que também contribui para a aceitação da programação oferecida, além é claro do baixo preço da assinatura. Na Argentina o valor da assinatura é US$ 30,00, nos Estados Unidos é US$ 39,00 e no Brasil a média é de R$ 42,00. Segundo a Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA) a diferença de custo deve-se ao potencial menor de assinantes no Brasil, 38 milhões, contra 45 milhões do restante da América Latina que fala a língua hispânica. Ou seja, uma diferença de 18% de possíveis assinantes justifica um valor superior a 30% no preço da assinatura. Não justifica também a pequena quantidade de programas destinados ao especificamente ao brasileiro. Temos um público cada vez mais ansioso por pela cultura nacional, por samba, forró, boi-bumbá, pagode e sertanejo. Por novelas e programas de auditório. A incapacidade das operadoras em reconhecer esta preferência é gritante. Ainda se pensa em cabos, postes e satélites. A programação oferecida ou é elitizada ou destina originalmente a classe média americana. Alguns utópicos, por sua vez, afirmam que a TV Paga não irá se popularizar, que Ratinhos e Gugus não terão vez na programação em nome de uma suposta qualidade. Pergunta-se então como poderá um dia a TV paga ser popular no Brasil? Tais afirmativas não contradizem completamente a proposta inicial da TV Paga? Aonde está a democratização da televisão, os canais regionais e comunitários, os novos empregos para os artistas e profissionais (talvez em Miami e Holywood)? Tomem como exemplo a TV paga nos Estados Unidos e na Europa cujo o sucesso foi função de conseguir oferecer uma programação ao gosto do grande público, incluindo aí os Geraldos e os Eurotrash da vida, o chique e o brega, o luxo e o lixo. Não há outro caminho para a TV Paga no Brasil. Ou os empresários mudam sua mentalidade bitolada, voltando suas atenções para o seu principal produto, que é o entretenimento, disponibilizando uma programação mais atraente e brasileira, ou serão substituídos, após suas inevitáveis falências, por outros mais competentes e com visão.

https://web.archive.org/web/20021109030811/http://www.geocities.com:80/TelevisionCity/Studio/4067/n0507981.html

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8 minutos atrás, PierreDumont disse:

Será? até hoje a TV paga não se popularizou como deveria e a programação nunca esteve tão ruim.

 

Equivocado, pois hoje em dia a classe c e as demais já conseguiram alcançar esse luxo que no passado era dos ricos. Em 1998 sim mas agora a realidade tá muito diferente.

Edited by James Gutherre
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