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  1. Assim como a sequência de fatos ocorridos na tarde deste sábado (21) em um hotel de Belo Horizonte não tem nada que possa ser necessariamente celebrado, a cobertura televisiva da tentativa de assassinato da apresentadora Ana Hickmann também foi uma batalha sem vencedores. Nacionalmente, a Globo ignorou o ocorrido. Nenhuma palavra foi dita sobre o assunto que dominou as conversas dos brasileiros, permanecendo inclusive por horas consecutivas entre os tópicos mais populares do planeta no Twitter. O “Jornal Nacional” não encontrou espaço para uma notinha coberta que seja sobre o crime. Mas por mais de três minutos dedicou seu noticiário para um assunto bem menos comentado no país: o preço da gasolina nos Estados Unidos e seu incentivo ao uso de carros mais potentes. O “JN” falou ainda sobre pelo menos mais dois assuntos “de gaveta”, como são chamadas as matérias que podem ser encaixadas em diferentes dias. Porém nada sobre a tentativa de assassinato contra um dos mais famosos rostos do entretenimento brasileiro, o que motivou reações contrárias de internautas, entre eles o apresentador da Band, Milton Neves. O “veto” se torna ainda mais estranho por Ana não ser uma figura “proibida” na Globo – ao menos até então. Nas transmissões do Carnaval, ela é exibida com destaque. Em 2011, quando caiu na Sapucaí, virou notícia no próprio “JN” que agora a esnobou. A Globo News também não mencionou nada sobre o fato até o fechamento desta coluna. Enquanto isso, outros veículos do grupo, como a rádio CBN, o portal G1 e a versão online do jornal O Globo já noticiaram sobre os incidentes. Em Minas, chamada tendenciosa O “MGTV” noticiou o ocorrido com amplo espaço em sua segunda edição. Mas o tom das chamadas e a manchete da escalada chamaram mais atenção que os minutos de links sobre o tema. A abertura do telejornal, feita pela apresentadora Vivian Santos, teve como primeiras frases: “Um homem é assassinado em um hotel na Zona Sul de Belo Horizonte. O suspeito do crime é cunhado da apresentadora Ana Hickmann”. Nada sobre a presença da apresentadora (e como alvo) na cena do crime. A manchete não mente, mas induz o telespectador a acreditar que a ação do assassinato partiu espontaneamente do cunhado de Ana, e não que foi uma legítima defesa ao ataque prévio do atirador. Na internet, foram várias as mensagens revoltadas com o tom tendencioso escolhido. A edição em si, entretanto, foi correta. Ao finalmente falar sobre Ana, não omitiu que ela é “apresentadora da Rede Record”. Em link posicionado na porta do hotel Caesar Business, o repórter Kássio Freitas finalmente relatou o fato da real forma que o deu relevância e como ele vem sendo descrito pelas próprias forças policiais: com o fã sendo inicialmente um invasor, sendo que Gustavo Henrique, cunhado de Ana, reagiu apenas após sua esposa ser atingida por disparos. No estúdio, porém, ao voltar a chamar nota sobre o fato no encerramento da edição, novamente o sentido ficou no mínimo alterado do natural. O caso voltou a ser tratado como “o assassinato de um fã”, evidenciando que houve uma falta de conexão entre a abordagem decidida pela redação e a percebida pela equipe de rua. “JN” é exceção O “Jornal Nacional” foi o único dos grandes telejornais de horário nobre a ignorar solenemente o atentado. Produtos de outras emissoras concorrentes da Record, o “Jornal da Band”, o “SBT Brasil” e o “RedeTV! News” cumpriram o que se espera e abordaram o assunto. No SBT, o único jornalístico do sábado abriu sua edição com o tema, conseguindo concluir diferentes matérias sobre o assunto. O canal encerrou a edição do dia abordando o ataque sofrido por Ana, assim como a RedeTV!, que ainda leu trechos da nota oficial emitida pela Record. Em nenhuma das redes a angulação lembrou a parcialmente feita na Globo Minas. E no “Jornal da Record”, a cobertura foi a mais ampla, é claro. Foram mostradas algumas das mensagens do suposto fã em redes sociais, além de exibir imagens do quarto do hotel registradas pela própria Ana pouco antes. O furo na TV, entretanto, não foi do canal de que Hickmann é contratada. Muito antes do “Cidade Alerta” entrar no ar, o “Brasil Urgente” já repercutia os fatos. A Record optou por não fazer nem mesmo um boletim em seus intervalos comerciais. Dessa vez apresentado por Joel Datena, o programa da Band soube conduzir a cobertura sem passar do ponto e dissertar por minutos sem novidades não evidenciando essa falta de novas informações. Saiu-se melhor que o similar da Record, que horas depois parecia igualmente confuso, falando na condicional até sobre eventos já confirmados, e ainda apelou para o suspense com sucessivas chamadas sobre fatos já conhecidos, seja na internet ou em outras redes. Foi feito mistério, por exemplo, sobre “as últimas imagens de Ana Hickmann”, que foram extraídas de suas redes sociais. Assim como a entrevista seguidamente anunciada com o irmão do suspeito já havia sido mostrada ao vivo no “Brasil Urgente”. Assim como ocorrido com o “MGTV”, a parte mais precisa ficou com o repórter de campo posicionado no hotel, nesse caso o Hélverte Moreira. http://natelinha.uol.com.br/colunas/2016/05/22/jornal-nacional-ignora-ataque-contra-ana-hickmann-mgtv-distorce-fatos-99231.php


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