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  • Comparecimento eleitoral em tempos de pandemia

    Diante da impossibilidade constitucional de extensão na duração dos mandatos de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores, o Congresso Nacional aprovou uma emenda constitucional que permitiu, em razão da calamidade pública derivada da emergência em saúde causada pela pandemia de Covid-19, o adiamento das eleições municipais deste ano para o dia 15 de novembro. 


    Foi a solução emergencial encontrada dadas as circunstâncias excepcionais deste atípico ano. Diante de um cenário de pandemia cujas mortes ultrapassam a casa dos milhares quase que diariamente, há quem diga que o Brasil viverá as chamadas “ondas” todas de uma só vez porque o grau de cumprimento das medidas sanitárias que visam o arrefecimento da pandemia, por aqui, parece ser insuficiente.


    O sobe e desce dos números de casos e mortes por Covid-19 impacta diretamente no ânimo das eleições deste ano. Além de o tema saúde pública inevitavelmente ganhar protagonismo no debate, existe a preocupação – dos partidos e candidatos – com o número de brasileiros que não sairá de casa para se dirigir a uma seção eleitoral.

     

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    Nas eleições de 2018, 29,9 milhões de pessoas no primeiro turno e 31,3 milhões de pessoas no segundo turno deixaram de votar.
    Foto: Cadu Rolim


    Historicamente, o índice de abstenção em eleições municipais é mais visível em grandes cidades, ou seja, em capitais e regiões metropolitanas, onde a dependência direta dos eleitores com a figura do eleito, e seu grupo, é menor. No interior, onde há um clientelismo pujante ainda nos dias de hoje, as pessoas tendem a comparecer em maior número porque há uma relação de dependência econômica direta atrelada aos resultados eleitorais locais.


    Uma das novidades neste ano, e que deve favorecer ainda mais a abstenção, é o fato de que a justiça eleitoral liberou o eleitor para realizar a justificativa de ausência pelo celular. Através do aplicativo e-título, será possível preencher e enviar o formulário de justificativa à justiça eleitoral até 60 dias após a realização da eleição.


    Especialistas contratados pelas campanhas tentam entender à toque de caixa qual é o perfil do eleitor que potencialmente não irá votar nas eleições deste ano. Mapear os grupos da população que provavelmente vão se abster pode fazer toda a diferença numa campanha. Ainda não é possível afirmar, por exemplo, que aqueles partidos com eleitores fiéis ou militância organizada – sobretudo os de maior afinidade ou identificação ideológica – teriam, em tese, maior potencial em se tratando de comparecimento. 


    As pesquisas eleitorais feitas por telefone também podem ser pouco assertivas se considerarmos que muitas dessas pessoas ouvidas pelos institutos podem até ter as suas preferências registradas, mas se elas não se dirigirem aos seus respectivos locais de votação, pouco adiantará para efeitos práticos. Isso, em grau elevado, pode inclusive jogar a já duvidosa credibilidade dos institutos de pesquisa no abismo.


    De forma muito prática, tende a vencer a eleição deste ano o candidato que conseguir mobilizar seu eleitorado para sair de casa em direção aos locais de votação no dia 15 de novembro, e esta é uma tarefa cada vez mais complicada, já que o brasileiro parece estar, cada dia mais, desacreditado da política como mecanismo de transformação social – e talvez por isso mesmo preferindo, inclusive, optar por atalhos populistas e por flertes cada vez mais explícitos com o autoritarismo.

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    Recommended Comments

    Eu não tenho intenção alguma de ir votar. Só vou se a justificativa for possível de ser concluída pelo próprio aplicativo do E-Título. Caso precise ir validar ela em cartório eleitoral, pensarei se vale a pena.

    Além de estarem fazendo o mínimo em relação a esse vírus e a tudo mais que é tido como obrigação desses políticos, ainda somos obrigados a nos expor para votar nesses bandidos ladrões. 

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    1 minuto atrás, Kadu disse:

    Eu to pensando em justificar voto dessa vez. Não to me sentindo seguro pra ir votar. Isso da justificativa é certo @Cupertino ou precisa depois ir no cartório eleitoral?

     

    Pelo que se sabe, Kadu, vai ser possível justificar totalmente pelo app, seguindo as regras de distanciamento social.

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    Em 03/10/2020 at 22:50, Augusto disse:

    Eu não tenho intenção alguma de ir votar. Só vou se a justificativa for possível de ser concluída pelo próprio aplicativo do E-Título. Caso precise ir validar ela em cartório eleitoral, pensarei se vale a pena.

    Além de estarem fazendo o mínimo em relação a esse vírus e a tudo mais que é tido como obrigação desses políticos, ainda somos obrigados a nos expor para votar nesses bandidos ladrões. 

     

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